Eu sempre me relacionei bem com os meus professores, por algum motivo eles sempre iam com a minha cara. Um deles disse até que gostava de mim de graça, e eu também gostava muito dele. Mas isso não acontecia sempre, quero dizer, nem sempre era recíproco. Mesmo os professores que eu não suportava, gostavam de mim. Vai entender, né?
Quando eu comecei o terceiro ano do ensino médio, passei a ter aulas de filosofia. O professor responsável pela matéria era o típico professor de filosofia, todo malucão, cheio de graça, meio doido mesmo, mas tinha uma dificuldade enorme para aprender os nomes dos alunos. A turma gostava dele, o achava engraçado, mas eu tinha um apreço especial por ele ser professor de filosofia, matéria que eu gostava antes até de conhecer.
O ano foi passando e o pessoal foi perdendo o interesse, afinal, filosofia no colégio é como arte e educação física, nem precisa estudar, é só ir para as aulas que passa. Sendo que eu era diferente, participava das discussões, fazia as atividades, era uma aluna exemplar. Essa dedicação toda à matéria me fez ser a primeira aluna cujo nome foi lembrado pelo tal professor malucão. Na festinha de final de ano da turma, me surpreendo ao ouvir o professor me chamando pelo nome. Fiquei super feliz, né?! Me achando a queridinha da turma. Mal sabia o que me esperava lá na frente.
No ano seguinte, a matéria era sociologia e eu já não tinha mais tanto interesse nas aulas, estava mais preocupada com as matérias que eu precisava de nota, com o trabalho de conclusão de curso e com o monstro do vestibular. Mas o diabo do professor escasquetou comigo.
Nos eventos culturais da escola e me cumprimentava, dizendo "que bom te ver por aqui"; quando eu ia para aula com os cabelos soltos, ele passava a aula inteira falando sobre as mulheres deverem usar sempre os cabelos soltos (com o que calor que faz aqui? Senta lá); e ainda teve a coragem de reclamar das minhas notas (acima da média), que tinham caído um pouco, se oferecendo para me "ajudar" com a matéria ou "conversar" se estivesse passando por algum problema.
Vocês podem pensar "Ah, mas ele estava querendo te ajudar, por você ter sido uma aluna mais interessada, no passado", mas havia vários alunos correndo risco de não passar na matéria dele, portanto, tinha mais com o que se preocupar ao invés de ir atrás de uma aluna que já estava passada desde o terceiro bimestre.
Resultado, fiquei com nojo do cara. Porra, um velho babão, meu professor e dando em cima de mim? Se mata, meu filho.
Alguns professores eu levarei no meu coração para o resto da vida como grandes mestres ou como amigos, mas a ideia de ter um relacionamento com um professor não me atrai de jeito nenhum. Apesar de ter sido comum entre os meus professores e as minhas amigas, eu não sei se teria estômago para tanto.
Professores que mudaram minha vida: Aparecida (português), Iara Maria de Carvalho (literatura - grande poetisa potiguar, deem uma googleada!), Bruno Lima (inglês), Negão (matemática), Geraldo (física), Gerardo Júnior (história - uma inspiração), Adalto e Maria Luíza (geografia), Odisséia e Aristides (alimentos), Renata Lissa (Cooperativismo e Associativismo), Suély (arte - me apresentou à minha cultura).
Obrigada a todos vocês!