Quando eu escrevo aqui, podem ter certeza de que a ansiedade está alcançando altíssimos níveis no coeur dessa escorpiana com ascendente em aquário que vos fala.
São 3h08, estou esboçando minha grade curricular (o período de matrículas para o semestre seguinte nem começou ainda e não tem como eu ver quais disciplinas estarão disponíveis), isso depois de já ter lido um excelente texto de Eliane Brum sobre a esperança (ou a falta dela) e a situação política do nosso país (recomendo fortemente, aqui), procurado no google imagens sugestões de decoração para uma sala pequena e como arrumar quadros na parede, assistido a três vídeos na úteis no youtube, e principalmente conjecturado MUITO sobre o meu futuro e o que estou fazendo da minha vida.
Imagino que para alguém com vinte e poucos anos e na reta final da faculdade, aquele trechinho da música de White Stripes venha bem a calhar. I really don‘t know what to do with myself. Eu sei que para alguém que ama planejar e ter tudo sob controle pareça um pouco estranho lançar essa frase, mas eu explico - por partes, para ficar mais organizado.
Profissionalmente
Estar no final da faculdade é parecido com estar no final do ensino médio. Você tem que decidir o que vai fazer com a sua vida, considerando escolhas anteriores, os seus limites, as suas expectativas para uma vida independente, etc. com o agravante de que você já está terminando a sua formação e precisa lidar com as consequências de todas as atitudes tomadas nos últimos 5 (ou seis) anos. Por exemplo, sair da faculdade sem nenhum artigo publicado (se tudo der errado, vai ser mais difícil de entrar num bom programa de pós) ou ter feito um intercâmbio na França, que pode dar uma forcinha ao currículo.
A economia no nosso país e no mundo não está ajudando ninguém a conseguir emprego, muito pelo contrário, a média de demissões chega a 10 mil por dia. Os concursos estão parados. A empresa estatal de petróleo, na qual eu pretendo ingressar quelque jour, está afundando nos escândalos de corrupção de fazer vergonha a qualquer um. Eu não quero ser pessimista sobre o meu futuro, ainda mais considerando todos os privilégios que tive, mas certas informações deixam o serumano meio assustado, sobretudo, quando este serumano nunca procurou emprego de verdade e muito menos como engenheiro.
Família
Minha mãe pode estar com câncer de pele, mas não dá para saber ainda, porque ela não tem pressa alguma para ir ao médico. Ela também pode estar com alzheimer, mas também não dá pra saber pelo mesmo motivo. Meu pai, continua aquela bomba de estresse, altamente inflamável, que pode ser detonada ao mínimo suspiro. Isso tudo agrava a minha ansiedade e, como recomendado pela minha psicóloga, não é um assunto no qual eu vá me aprofundar por dois motivos principais: não posso mudar e não deverei ter muito contato no futuro.
A relação com a minha irmã continua “daquele jeito“ (ler com a voz de Valesca Popozuda), cheia de altos e baixos, mas com bastante cumplicidade e cada vez mais respeito.
Valores pessoais
Ao mesmo tempo que sinto a necessidade de me engajar mais para lutar pelo que acredito, também sinto um cansaço inexplicável que me derruba, me desanima completamente e me afasta de tudo isso. É como se um elefante bem rechonchudo sentasse em cima de mim e começasse a ler Crime e Castigo no ritmo de uma criança recém alfabetizada. Isso na verdade me lembra que a astrologia fala muito sobre a minha teimosia, a tendência a permanecer e insistir em determinadas situações. Este elefante talvez seja eu mesma, mas ainda não consigo me erguer.
Conseguir. Este é um verbo muito difícil para mim desde meados de 2014, sem dúvida, foi um ano de desafios internos muito complexos e em alguns dos quais sinto que falhei, por enquanto. Os rastros dessas falhas me fazem sentir um pouco frágil ainda, desconfiada e insegura. Sei que a superação requer tempo e muito trabalho, estou contando com isso, mas também sinto uma imensa saudade de mim, uma vontade triste de me sentir eu mesma de novo, de me encontrar e me reconhecer. Sinto que estou mais próxima de encontrar o caminho, mas que a parte mais trabalhosa desta caminhada ainda está por vir.
L‘amour et d‘autres sentiments
Há um certo tempo não me apaixono por ninguém e, ao mesmo tempo que faz falta pela sensação de vivacidade que só o amor traz, já não me angustia, não me desespera mais. Penso em algumas pessoas e a insegurança me traz as piores lembranças, me deixa nervosa e ansiosa. Rapidamente procuro pensar em outra coisa. Me faz mal, mas acredito que não vou me tornar refém de sentimentos e pensamentos ruins, tampouco continuarei a cultivá-los por muito tempo.
Eu sinto muita saudade de Natal e de tudo que aquela cidade representa para mim. Ultimamente, passei a sentir saudades da França também, algo que não esperava que fosse me ocorrer tão cedo. É impossível ter saudade e não lembrar imediatamente da parte desagradável da minha experiência, acho que minhas lembranças sobre o intercâmbio estarão para sempre contaminadas de tristeza. Digo contaminadas, porque já agora, o que emerge primeiro e insiste em prevalecer são as boas lembranças das pessoas e momentos bons.
Corpo e mente
Estou fazendo acompanhamento nutricional, cadjimia e psicoterapia. É evidente que eu preciso me curar e acho que nada melhor para conseguir isso do que mudar meu estilo de vida para melhor. Eu continuo detestando a maioria dos tipos de exercício físico, fico contando os segundos para terminar cada exercício. Espero que a tal da endorfina comece a ser liberada em doses mais substanciais no meu organismo, em brebve. Ainda não sei que exercício vou fazer a partir de fevereiro, quando me mudar de volta para Natal. No caso da dieta, este problema está parcialmente resolvido, porque já tenho um encaminhamento marcado para a última semana de janeiro, a fim de criar um novo plano alimentar, adequado à realidade de uma universitária em fim de curso. Por enquanto tem sido bem difícil seguir as duas coisas. Por incrível que pareça, eu tenho me dedicado mais à prática de exercícios, porque tenho mais “apoio“, meu pai pressiona mais por isso, porque é ele quem paga e me leva para academia, todas as manhãs, quando ele sai para trabalhar (7h da matina não é de dels, gentê). A dieta começou oficialmente há 5 dias, mas extra-oficialmente mal saiu do papel, não há muito apoio, existem várias tentações às quais não estou conseguindo resistir. Ainda não entrei de cabeça na coisa, sabe? Enfim, oremos!
Autonomia
Eu sempre tive uma tendência para me tornar uma pessoa independente, mas nem sempre me esforcei para garantir graus mais altos de autonomia. Finalmente, depois de 5 anos de promessa, estou fazendo autoescola (insira um som de palmas aqui). Que coisa chata! Me falaram que seria insuportavelmente chato, mas eu não pensei que fosse tanto. Também tenho sérias divergências com o instrutor no que tange à ética, mas estou na minha, para não gerar conflitos, afinal, a cidade é pequena e eu tenho mais o que fazer do que bater boca com gente que vai acrescentar varios nada na minha vida. Pronto, no quesito mobilidade, eu nunca estive tão encaminhada. Já no quesito finanças, eu ainda tenho alguns coletores para vender e estou pensando seriamente em me desenvolver um pouco mais nesse setor, pra dar uma reforçada no orçamento, ao menos enquanto não começo a estagiar. Sim, eu pretendo iniciar um estágio no período matutino assim que possível. Só espero que não seja um daqueles escragios (estágio+escravo) e que eu consiga passar nas matérias que pretendo cursar semestre que vem.
A principal conquista da última semana é que já arrumei um lugar pra morar em Natal, bem localizado, num prédio melhor do que o anterior, dividindo apartamento com apenas uma pessoa e tendo meu próprio banheiro, tudo isso por um preço bem digno e até difícil de encontrar nesses tempos de crise.
Consumismo
Administrando (mal) meu próprio dinheiro, percebi que eu não sou nada boa nisso. Eu gasto demais, pronto, assumi. Eu gosto de comprar, sabe? Isso é um problema grave por vários motivos, pessoais e sociais, até mesmo ambientais. Por conta disso, eu não pretendo comprar roupas e materiais de papelaria no mínimo nos próximos 6 e no máximo nos próximos 12. Vou apenas mandar fazer algumas, porque os tecidos já estão encostados há cerca de 2 anos. Não vai ser fácil, mas eu terei mais dinheiro para: me alimentar melhor, sair mais, pegar mais taxis, presentear mais as pessoas e principalmente VIAJAR.
Viagens
Uma das poucas amizades que fiz na França foi com uma menina super fofa, linda, inteligente e politizada que virá morar em Porto Alegre (sim, no RS) de março a agosto de 2016. Claro que eu estou louca para encontrá-la e a outros amigos brasileiros que fiz no intercâmbio, mas as passagens são absurdas (mais de mil dinheiros de natal pra poa na época mais barata que nem abarca as datas que eu posso). Estou me planejando para que possamos ao menos nos encontrarmos em outra cidade, no sudeste ou mesmo no nordeste, mas é preciso economizar. Segue a lista das viagens que eu gostaria de fazer e que acho remotamente realizáveis:
Recife e Olinda (carnaval ou não);
Litoral do nordeste de carro com mais 4 amigos (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe);
Salvador;
Rio de Janeiro.
Vou terminar a postagem outra hora, por enquanto, fica esse registro.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Sobre os quereres.
Parei para ler uns textos antigos do blog e me deparei com o “Quereres“. Eu acabei vivendo a paixãozinha de uma semana. Foi uma experiência muito especial, mas não deu pra me apaixonar de fato, me entregar completamente. Eu sei que uma semana parece mesmo pouco, mas, bom, o meu objetivo era esse, algo curto e intenso. Pode ser que algum dia algo semelhante se repita com mais intensidade. Ou talvez eu não queira mais. Não me entendam mal, eu não tive qualquer trauma, desapontamento, infelicidade durante os momentos que estivemos juntos. Tudo ocorria sempre de forma muito natural e serviu bastante para me ajudar a amadurecer em muitos sentidos. Eu acho que é alguém de quem eu vou lembrar pra sempre, inclusive porque remete a uma fase muito particular da minha vida - afinal, não é todos os dias que a gente vai morar em outro país.
Há muito venho refletindo sobre os meus anseios - ou sedes, pra citar Caio Fernando - afetivos. Acho que avancei um bocado nas minhas conclusões. Antes eu pensava muito sobre o que queria para determinado momento. Como queria. Quem eu queria. Mas agora me vejo um pouco mais livre dessas indagações. Não totalmente, não sei se seria possível para mim. Mas não tenho mais um querer específico. Eu me sinto sozinha, muitas vezes. Sinto falta de me relacionar afetivamente, de dizer que amo, mostrar que amo. Por outro lado, sinto que não há pressa, não há formato. Estou aberta ao que possa vir, e para não vir nada também. Me sinto mais tranquila, mas serena e, sobretudo, mais preparada para seguir a vida. Acho que os retrocessos que sofri durante o ano passado começam, finalmente, a serem superados.
Há muito venho refletindo sobre os meus anseios - ou sedes, pra citar Caio Fernando - afetivos. Acho que avancei um bocado nas minhas conclusões. Antes eu pensava muito sobre o que queria para determinado momento. Como queria. Quem eu queria. Mas agora me vejo um pouco mais livre dessas indagações. Não totalmente, não sei se seria possível para mim. Mas não tenho mais um querer específico. Eu me sinto sozinha, muitas vezes. Sinto falta de me relacionar afetivamente, de dizer que amo, mostrar que amo. Por outro lado, sinto que não há pressa, não há formato. Estou aberta ao que possa vir, e para não vir nada também. Me sinto mais tranquila, mas serena e, sobretudo, mais preparada para seguir a vida. Acho que os retrocessos que sofri durante o ano passado começam, finalmente, a serem superados.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Eu tenho mais de vinte anos.
No fim deste mês completo 23 anos de idade. Acho que estou começando aquele período de retrospectiva, de avaliação do meu ano, de preparação para a próxima revolução astral.
Tenho agido mais impulsivamente do que realmente gostaria, mas fico feliz de conseguir reconhecer isso antes de enfiar os pés pelas mãos. Sei que todas essas recentes mudanças têm total relação com o meu estado de ansiedade. Eu me sinto um pouco perturbada, angustiada, inquieta. Sinto uma falta imensa de situações que vivi lá fora. Mesmo que tivesse continuado lá, sei que elas não se repetiriam ou perdurariam, mas essa consciência não me impede de associar os meus sentimentos àquele lugar.
Eu também sei que existe muito de carência em tudo isso. Voltar ao Brasil e continuar distante de tantas pessoas amadas me faz sentir aprisionada, novamente. Mais uma vez me sinto insegura e receosa sobre cada decisão que tomo, cada passo que dou. Tenho medo de cometer erros que envolvam e principalmente prejudiquem outras pessoas. Aqui eu não me sinto independente e eu volto a sentir o peso desta condição.
Eu gostaria mesmo é de poder ver logo as pessoas e não ficar conjecturando tanto sobre cada uma delas ou mesmo sobre o momento de encontrá-las. Também gostaria de enxergar mais sinceridade em algumas dessas pessoas (homens, pra variar).
Ah, sei lá.
Tenho agido mais impulsivamente do que realmente gostaria, mas fico feliz de conseguir reconhecer isso antes de enfiar os pés pelas mãos. Sei que todas essas recentes mudanças têm total relação com o meu estado de ansiedade. Eu me sinto um pouco perturbada, angustiada, inquieta. Sinto uma falta imensa de situações que vivi lá fora. Mesmo que tivesse continuado lá, sei que elas não se repetiriam ou perdurariam, mas essa consciência não me impede de associar os meus sentimentos àquele lugar.
Eu também sei que existe muito de carência em tudo isso. Voltar ao Brasil e continuar distante de tantas pessoas amadas me faz sentir aprisionada, novamente. Mais uma vez me sinto insegura e receosa sobre cada decisão que tomo, cada passo que dou. Tenho medo de cometer erros que envolvam e principalmente prejudiquem outras pessoas. Aqui eu não me sinto independente e eu volto a sentir o peso desta condição.
Eu gostaria mesmo é de poder ver logo as pessoas e não ficar conjecturando tanto sobre cada uma delas ou mesmo sobre o momento de encontrá-las. Também gostaria de enxergar mais sinceridade em algumas dessas pessoas (homens, pra variar).
Ah, sei lá.
Quando cheguei tudo, tudo, tudo estava mudado.
Uma semana atrás eu voltava da França para a casa dos meus pais. Não é de hoje que chamo essa casa assim. Um lugar que durante 18 anos fora simplesmente o meu lar, aos poucos, foi perdendo essa conotação. Acho que as mudanças físicas, estruturais, me ajudaram a dissociar um pouco a casa dos meus pais da minha própria casa. Embora seja o lugar em que cresci e passei a maior parte da minha vida, está muito diferente. Eu mal consigo lembrar de como eram alguns cômodos, as cores dos pisos e das paredes, os móveis que usamos durante anos e anos.
A vida aqui também é outra, principalmente porque eu sou outra. E ser outra tem sido cada vez mais evidente, mais gritante para esta casa, esta família. Sei que falando assim parece até que algo de muito incômodo, de grave, tenha acontecido nesta primeira semana. Mas não. Pra fora da minha pele, tudo está mais ou menos como deveria, como o planejado.
A vida aqui também é outra, principalmente porque eu sou outra. E ser outra tem sido cada vez mais evidente, mais gritante para esta casa, esta família. Sei que falando assim parece até que algo de muito incômodo, de grave, tenha acontecido nesta primeira semana. Mas não. Pra fora da minha pele, tudo está mais ou menos como deveria, como o planejado.
domingo, 2 de agosto de 2015
Quereres
Eu queria alguem que me dissesse assim: “Vamos nos apaixonar só por essa semana?“ e aí a gente se apaixonada só por uma semana, sem drama, sem neuras, sem depois.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Des améliorations... Ou pas.
Eu sempre soube que vir para Bordeaux só me traria coisas boas, mas eu não pensei que fosse ver tanto homem bonito por metro quadrado e por dia, como vejo aqui. No meu trabalho, eles brotam. No tram, na rua, no meu prédio, enfim, por todos os lados. Claro que a maioria é mais pra olhar do que qualquer outra coisa, mas nem na cidade anterior, nem no Brasil eu tinha essa vista privilegiada e tão frequentemente.
Dia desses, os trabalhadores do transporte público estavam em greve, bem quando eu tinha resolvido sair correndo do trabalho pra viajar pra Paris. Peguei o tram toda preocupada, mas sem deixar de lado meu olhar escorpiano que capta uma pessoa interessante no radar. Estava quase que de frente para mim, um homem alto, forte, negro, com sorriso e olhos que não se encontra todo dia por aí. Nos olhamos muito discretamente durante o fim do trajeto, tanto que eu mal percebi que ele realmente me olhava com interesse. Ao sair do tram, ele me chama “mademoiselle, mademoiselle! Moi c‘est Pierre, et vous?“ (senhorita, senhorita! Sou Pierre, e você?). Eu estava tão atrasada e desorientada com a investida que o coitado teve que repetir a frase 3 vezes para que eu entendesse que era pra eu me apresentar de volta. Finalmente, disse meu nome, mas a história acabou aí, porque tive que correr pra pegar o onibus e não perder o avião. No final das contas, perdi o ônibus (mas não o voo, ufa!) e perdi o cara. Poderia ter pego ao menos o telefone. Por que nessas horas eu nunca consigo raciocinar direito? Argh!
--------
Nas minhas investidas virtuais, usando aplicativos como o tinder, acabei conversando com mais ou menos 4 caras bem interessantes. O primeiro, inglês, acabou se mostrando uma cilada (corre, bino!) e nem nos encontramos. O segundo, um sociólogo que estuda a bissexualidade feminina, é uma companhia muito agradável, gosta de conversar, mas não manda lá muito bem no oral, o que me decepcionou um pouco, considerando o tema das pesquisas dele, mas ainda estamos no lucro, quando comparo com os outros franceses com os quais me relacionei aqui. O terceiro é um artista super malucão (eu tenho um chama pra doido que não tá escrito), muito gentil e cuidadoso, disse que me apresentaria aos seus amigos, para que eu conhecesse mais franceses e melhorasse a minha fala, me ofereceu um jantar e ainda me deu um remédio caseiro pra minha dor de cabeça; não ficamos, mas segunda eu retribuirei o jantar e amanhã tem uma festinha na casa dele, ou seja, pode ser que dê uma vontadezinha. O quarto, um pequeno empreendedor do ramo dos vinhos, veio falar comigo porque gostamos do mesmo escritor catalão, Carlos Ruiz Zafon, o que é bem raro por aqui; por enquanto, estou confiando apenas no bom gosto literário dele.
Tem sido uma boa forma de conhecer pessoas, embora haja uma quantidade absurda de gente babaca que vem falar comigo, mas acho que está valendo a pena. Devo voltar com novidades sobre isso, mais tarde.
---------
Para completar, emagreci 5Kg porque desenvolvi intolerância a lactose e ao que parece todas as comidas desse país levam leite, queijo, creme de leite ou quantidades absurdas de manteiga, quando não, tudo isso junto. A dor de barriga é tão cabulosa que na maioria das vezes eu não me atrevo a arriscar, o que é uma pena pra quem AMA comer, como eu. Ao menos tenho emagrecido (ainda que forçada) e isso é ótimo, ainda mais considerando todos os quilos a mais que ganhei depois da fase depressiva e as toneladas de chocolate belga.
Dia desses, os trabalhadores do transporte público estavam em greve, bem quando eu tinha resolvido sair correndo do trabalho pra viajar pra Paris. Peguei o tram toda preocupada, mas sem deixar de lado meu olhar escorpiano que capta uma pessoa interessante no radar. Estava quase que de frente para mim, um homem alto, forte, negro, com sorriso e olhos que não se encontra todo dia por aí. Nos olhamos muito discretamente durante o fim do trajeto, tanto que eu mal percebi que ele realmente me olhava com interesse. Ao sair do tram, ele me chama “mademoiselle, mademoiselle! Moi c‘est Pierre, et vous?“ (senhorita, senhorita! Sou Pierre, e você?). Eu estava tão atrasada e desorientada com a investida que o coitado teve que repetir a frase 3 vezes para que eu entendesse que era pra eu me apresentar de volta. Finalmente, disse meu nome, mas a história acabou aí, porque tive que correr pra pegar o onibus e não perder o avião. No final das contas, perdi o ônibus (mas não o voo, ufa!) e perdi o cara. Poderia ter pego ao menos o telefone. Por que nessas horas eu nunca consigo raciocinar direito? Argh!
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Nas minhas investidas virtuais, usando aplicativos como o tinder, acabei conversando com mais ou menos 4 caras bem interessantes. O primeiro, inglês, acabou se mostrando uma cilada (corre, bino!) e nem nos encontramos. O segundo, um sociólogo que estuda a bissexualidade feminina, é uma companhia muito agradável, gosta de conversar, mas não manda lá muito bem no oral, o que me decepcionou um pouco, considerando o tema das pesquisas dele, mas ainda estamos no lucro, quando comparo com os outros franceses com os quais me relacionei aqui. O terceiro é um artista super malucão (eu tenho um chama pra doido que não tá escrito), muito gentil e cuidadoso, disse que me apresentaria aos seus amigos, para que eu conhecesse mais franceses e melhorasse a minha fala, me ofereceu um jantar e ainda me deu um remédio caseiro pra minha dor de cabeça; não ficamos, mas segunda eu retribuirei o jantar e amanhã tem uma festinha na casa dele, ou seja, pode ser que dê uma vontadezinha. O quarto, um pequeno empreendedor do ramo dos vinhos, veio falar comigo porque gostamos do mesmo escritor catalão, Carlos Ruiz Zafon, o que é bem raro por aqui; por enquanto, estou confiando apenas no bom gosto literário dele.
Tem sido uma boa forma de conhecer pessoas, embora haja uma quantidade absurda de gente babaca que vem falar comigo, mas acho que está valendo a pena. Devo voltar com novidades sobre isso, mais tarde.
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Para completar, emagreci 5Kg porque desenvolvi intolerância a lactose e ao que parece todas as comidas desse país levam leite, queijo, creme de leite ou quantidades absurdas de manteiga, quando não, tudo isso junto. A dor de barriga é tão cabulosa que na maioria das vezes eu não me atrevo a arriscar, o que é uma pena pra quem AMA comer, como eu. Ao menos tenho emagrecido (ainda que forçada) e isso é ótimo, ainda mais considerando todos os quilos a mais que ganhei depois da fase depressiva e as toneladas de chocolate belga.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Decepção
Esse negócio de morar no país da gastronomia trouxe muitas mudanças pro meu paladar, mesmo que eu não frequente aqueles restaurantes chics ou sequer tenha provado um macarron Ladurée. O modo de explorar as potencialidades de um alimento muda muito de uma cultura para outra. Aqui eu comecei a comer certas verduras e legumes às quais não estava habituada, no Brasil. Por outro lado, sinto falta da imensa variedade de frutas que encontrava na minha região.
Hoje eu fui num certo supermercado, pra procurar feijão e farofa. Acabei encontrando uma caixa de chocolates Garoto e tive que trazer pra casa. Se tem uma coisa que deixa o paladar da gente “mal“ acostumado, essa coisa é chocolate, mas chocolate bom! Eu não sei bem o que estava esperando quando comprei os chocolates, acho que pensei que sentiria aquele mesmo gosto que sentia no Brasil, um gosto de infância. Senti foi gosto de gordura hidrogenada ou seja lá o que eles enfiam nesses bombons. #chatiada
Hoje eu fui num certo supermercado, pra procurar feijão e farofa. Acabei encontrando uma caixa de chocolates Garoto e tive que trazer pra casa. Se tem uma coisa que deixa o paladar da gente “mal“ acostumado, essa coisa é chocolate, mas chocolate bom! Eu não sei bem o que estava esperando quando comprei os chocolates, acho que pensei que sentiria aquele mesmo gosto que sentia no Brasil, um gosto de infância. Senti foi gosto de gordura hidrogenada ou seja lá o que eles enfiam nesses bombons. #chatiada
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Updates
Final das contas, tem dado tudo certo. Estou mais pobrinha do que nunca, mas vivendo bem melhor.
O trabalho começou essa semana e, embora as coisas estejam caminhando meio devagar, tá tudo bem. Não conheci muita gente, só minha equipe mesmo e até agora não me chamaram pra nenhuma cerva after-work. Não tenho saído muito, por falta de companhia mesmo, mas acho que mês que vem já será melhor.
O trabalho começou essa semana e, embora as coisas estejam caminhando meio devagar, tá tudo bem. Não conheci muita gente, só minha equipe mesmo e até agora não me chamaram pra nenhuma cerva after-work. Não tenho saído muito, por falta de companhia mesmo, mas acho que mês que vem já será melhor.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Retificando.
Esqueçam tudo que eu falei na postagem anterior, porque a filha da puta do caralho da capes solicitou que eu volte ao br imediatamente, uma vez que o estágio só começaria em maio e eu não posso ficar um mês aqui sem fazer nad.a
Já mandei duas mensagens em resposta, pedindo para que reconsiderem a decisão, uma vez que eu não vou ficar aqui fazendo nada nem com o intuito de fazer nada ou turistar com dinheiro do governo.
Tem horas que eu acho que não tenho força suficiente pra aguentar tanta coisa que vem acontecendo, tanta incerteza, tantos altos e baixos, tanto estresse, ansiedade, desespero.
Em resumo: voltei ao lexotan.
Já mandei duas mensagens em resposta, pedindo para que reconsiderem a decisão, uma vez que eu não vou ficar aqui fazendo nada nem com o intuito de fazer nada ou turistar com dinheiro do governo.
Tem horas que eu acho que não tenho força suficiente pra aguentar tanta coisa que vem acontecendo, tanta incerteza, tantos altos e baixos, tanto estresse, ansiedade, desespero.
Em resumo: voltei ao lexotan.
terça-feira, 31 de março de 2015
Bordeaux, pode me chamar que eu vou, eu vou, eu já tô aí.
Finalement, eu encontrei um estágio. E é numa empresa grande, de um grupo maior ainda, ambos líderes de mercado na França e até em alguns outros países. Isso deve me ajudar a encontrar trabalho quando voltar ao Brasil, como eu tinha planejado. Planos. Eu gosto de planos, eu gosto dessa sensação e me sinto muito feliz de ver minha vida entrando nos eixos novamente, as coisas finalmente começando a dar certo para mim nesse País.
Não costumo ser supersticiosa com relação a isso, mas a impressão que ficou é a de que as coisas chegam para mim quando eu já não as desejo tanto assim, quando eu aceito que elas não virão, quando cogito ou mesmo decido que não quero mais. Talvez seja uma lição, talvez não.
A melhor parte disso tudo é que vou morar em Bordeaux. Sim, uma das minhas cidades preferidas no mundo inteiro, um dos lugares mais belos que já vi, em todos os sentidos. Arquitetura riquíssima, cultura mais ainda, vida noturna agitada, gente bonita e simpática pra todo lado, belezas naturais e, claro, muito vinho. Me sinto indescritivelmente feliz de poder ter essa experiência. A vivência francesa que eu buscava quando decidi fazer este intercâmbio.
Agora, só resta comemorar, arrumar toda a bagunça física e burocrática, e aproveitar tudo que essa cidade e essa experiência maravilhosas têm a me oferecer.
Deixo a foto da praça da prefeitura da cidade, onde fica o espelho d‘água. Não é só porque a foto é de qualidade não, viu, gente? Se vocês puderem ir até lá um dia, verão que é bem assim mesmo.
Não costumo ser supersticiosa com relação a isso, mas a impressão que ficou é a de que as coisas chegam para mim quando eu já não as desejo tanto assim, quando eu aceito que elas não virão, quando cogito ou mesmo decido que não quero mais. Talvez seja uma lição, talvez não.
A melhor parte disso tudo é que vou morar em Bordeaux. Sim, uma das minhas cidades preferidas no mundo inteiro, um dos lugares mais belos que já vi, em todos os sentidos. Arquitetura riquíssima, cultura mais ainda, vida noturna agitada, gente bonita e simpática pra todo lado, belezas naturais e, claro, muito vinho. Me sinto indescritivelmente feliz de poder ter essa experiência. A vivência francesa que eu buscava quando decidi fazer este intercâmbio.
Agora, só resta comemorar, arrumar toda a bagunça física e burocrática, e aproveitar tudo que essa cidade e essa experiência maravilhosas têm a me oferecer.
Deixo a foto da praça da prefeitura da cidade, onde fica o espelho d‘água. Não é só porque a foto é de qualidade não, viu, gente? Se vocês puderem ir até lá um dia, verão que é bem assim mesmo.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Eu passei todos aqueles dias pensando sobre a tal chamada de xinxa que o bóe tinha dado, me perguntando sobre como seria, conjecturando à milésima potência e tudo essa “pensaçãp“ fez um total de zero diferença na minha vida, na prática, no meu dia a dia, seja aqui na França, seja no Brasil.
E tô falando isso, porque ansiedade é o diabo. Basta você ter um motivo pra ficar ansiosa, que ela ressucita todos os outros motivos possíveis e impossíveis, todas as coisas que não tem a menor necessidade de você ficar pensando.
E tô falando isso, porque ansiedade é o diabo. Basta você ter um motivo pra ficar ansiosa, que ela ressucita todos os outros motivos possíveis e impossíveis, todas as coisas que não tem a menor necessidade de você ficar pensando.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Eu só quero um amor que acalme o meu sofrer.
Quando estou muito ansiosa ou estressada ou ainda ambos, só desejo que alguém me puxe de lado, me ajude a acalmar meu coração e me ocupe pra que eu não tenha nem um segundinho de sobra pra pensar em outras coisa que não o que a gente estiver fazendo junto.
E o que acaba sendo chatinho é ver que:
1- não tem ninguém pra fazer isso, porque eu estou longe de todos que amo;
2- mesmo no Brasil, não tem nenhum pretendente apto a tal tarefa;
3- na real, não tem nenhum pretendente “du tout“.
E o que acaba sendo chatinho é ver que:
1- não tem ninguém pra fazer isso, porque eu estou longe de todos que amo;
2- mesmo no Brasil, não tem nenhum pretendente apto a tal tarefa;
3- na real, não tem nenhum pretendente “du tout“.
sábado, 7 de março de 2015
Sobre gostos.
É engraçado perceber o amadurecimento do nosso próprio paladar, sabe? Quando eu comecei a ler o blog “Simplesmente Delícia“ lembro que não gostava da maioria das receitas e nunca tinha sequer ouvido falar em alguns ingredientes. Hoje em dia fico me perguntando porque diabos eu nunca fiz certas receitas do blog e querendo salvar tudo em algum lugar fácil de acessar quando eu precisar de uma boa e simples ideia para aperitivos, saladas e doces.
http://www.simplesmentedelicia.com/index.php?paged=22
http://www.simplesmentedelicia.com/index.php?paged=22
C‘est fini.
Eu estou a alguns dias de resolver minha vida pelos próximos seis meses. A princípio, a ideia de voltar ao Brasil sem ter feito o que me propus e lutei pra fazer me deixou bastante triste. Eu abdiquei de muita coisa, inclusive da minha saúde, para estar aqui até agora e continuar tentando cumprir a missão que eu mesma me dei. Quem me julgou, quem me mal tratou, quem me desrespeitou durante o tempo que estive aqui não sabe da missa uma oraçãozinha que seja. Mas depois da pêa, depois de chorar bastante, depois de voltar-me à quem me sustenta e ver que está tudo bem, eu consegui ver as coisas com mais clareza. Voltar ao Brasil agora certamente me fará mais bem do que mal. É uma nova chance que eu encarava como fracasso, é uma oportunidade de recolocar minha vida nos eixos. Existem ônus, sempre existem, mas não creio que sejam maiores do que os benefícios que terei em casa, com o meu povo, com a minha cultura, com a minha vida “normal“.
Por outro lado, a possibilidade de ficar aqui vem com a impressão de que posso “consertar“ as coisas. De que o que quer que eu tenha feito de errado pode ser superado e que eu sou mais do que tentaram me fazer crer; vem com a possibilidade de dizer que eu falo francês, sim, de que minhas notas não foram ruins e que o meu conhecimento não é menor do que o dos alunos franceses, apenas diferente.
Eu não me sinto nem um pouco impelida a provar algo pra qualquer pessoa aqui, muito menos as que me trataram mal. Mas a experiência profissional que busco pode ser capaz de me mostrar que eu não estava errada, me confirmar o que eu já sei e, com isso, devolver um pouco da autoconfiança que arrancaram de mim. É uma chance de me reestruturar e voltar para o Brasil do mesmo modo que cheguei aqui, plena.
Os inimigos tiveram lá seus dias de alegria às minhas custas, mas espero que tenham aproveitado ao máximo, porque c‘est fini.
Por outro lado, a possibilidade de ficar aqui vem com a impressão de que posso “consertar“ as coisas. De que o que quer que eu tenha feito de errado pode ser superado e que eu sou mais do que tentaram me fazer crer; vem com a possibilidade de dizer que eu falo francês, sim, de que minhas notas não foram ruins e que o meu conhecimento não é menor do que o dos alunos franceses, apenas diferente.
Eu não me sinto nem um pouco impelida a provar algo pra qualquer pessoa aqui, muito menos as que me trataram mal. Mas a experiência profissional que busco pode ser capaz de me mostrar que eu não estava errada, me confirmar o que eu já sei e, com isso, devolver um pouco da autoconfiança que arrancaram de mim. É uma chance de me reestruturar e voltar para o Brasil do mesmo modo que cheguei aqui, plena.
Os inimigos tiveram lá seus dias de alegria às minhas custas, mas espero que tenham aproveitado ao máximo, porque c‘est fini.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Eu vim fazer um intercâmbio de um ano aqui na França e fui alocada no último ano do curso de génie industriel, que é o equivalente ao meu curso do Brasil. Sendo assim, tive que cursar 6 meses de aula e depois teria fazer mais 6 meses de estágio. Tive muita dificuldade de adaptação e isso acabou se refletindo um pouco na minha dificuldade de encontrar um estágio. O fato é que desde o dia que pus os pés nesta école sou tratada pior do que o cocô do cavalo do bandido, acabei precisando inclusive de ajuda psicológica e psiquiátrica, de medicação e a parada toda. Daí, na reta final da parada, me jogam pra uma mulher que não acompanhou um passo da minha trajetória nesse inferno e passa o dia me culpando por tudo, sob a justificativa de que está me ajudando a encontrar o diabo do estágio. Pra vocês terem noção, hoje eu até sonhei com essa pessoa. Sonhei que estava discutindo com ela e dizendo tudo que eu pensava sobre os franceses, a école e a porra toda. Bem queria poder fazer isso, mas até acertar minha situação aqui eu tenho que ficar pianinho.
terça-feira, 3 de março de 2015
Divagações sobre as relações que desejo ter.
Duas coisas me motivam primordialmente a experimentar o universo das relações livres: uma é a leveza que esse tipo de relação carrega (teoricamente, claro) e outra é a possibilidade de destruir certos comportamentos mantidos na lógica monogâmica de se relacionar.
As relações livres pressupõem a interação entre indivíduos autônomos (ou o mais próximo possível disso), o que me soa bastante interessante do ponto de vista da leveza da relação. As pessoas simplesmente se relacionam quando querem e com quem querem, afetiva e/ou sexualmente, mas sempre respeitando a autonomia, as vivências, os sentimentos das outras pessoas envolvidas.
O que eu considero um relacionamento ideal uniria o “modo“ rli e a quantidade monogâmica. Seria a situação na qual o casal estivesse junto porque se basta - não porque precisa estar junto exclusivamente - porque naquele intervalo de tempo x espaço, existe atração, afeição e respeito mútuos para que as duas pessoas fiquem juntas, e apenas elas. De um modo que elas queiram isso, dessa forma.
Nas relações mono que existem na sociedade capitalista atual, não é isso que acontece. As pessoas não decidem ficar juntas exclusivamente. Existe uma imposição da exclusividade, que vem carregada de uma série de comportamentos destrutivos, desrespeitosos, que vão contra a autonomia, a individualidade das pessoas. A ideia do amor romântico, com os sentimentos de posse, controle sobre o outro e ciúme são exemplos dos males desse modelo de monogamia.
Eu acredito que o espaço mais apropriado à destruição dessa lógica seja o âmbito das relações livres. Há muito tempo percebi que preciso primeiramente me educar quanto aos sentimentos de posse e controle. Sem buscar, antes de tudo, resolver os meus problemas de relacionamento, não poderei jamais viver uma relação saudável, plena, com respeito e carinho com qualquer outra pessoa.
Acredito que esse é o tipo de coisa que cada um precisa experimentar para poder saber o que acha de verdade, o que quer de verdade. Meu problema, no entanto, tem girado mais em torno da dificuldade de destruir certos hábitos sem haver uma relação estabelecida pra testar o bagulho. Quando tenho relações já estabelecidas com as quais posso tentar a reeducação, sinto que ainda romantizo demais, que ainda me sinto muito insegura em vários aspectos. Já quando tento iniciar relações nesse formato, elas costumam descambar diretamente para o consumo de sexo, sem geração de vínculo, de uma relação de verdade entre pessoas. Eu não quero me tornar uma simples “consumidora de sexo“, nem tampouco quero ser simplesmente consumida. Quero que sejam estabelecidas relações, com vínculos reais, sempre, independente do nível de afetividade que exista em cada uma.
Aqui na Fr, eu vivo falando que quero um PA, porque, nesse contexto de alto nível de instabilidade, seria ótimo ter alguém com quem sair, conversar, transar, mas sem ter que me envolver demais afetivamente, sem exclusividade, sem cobranças, sem amor, mas com respeito, com carinho, com vínculo real entre dois seres humanos, além de sucessivas cópulas. Eu sei que não é fácil, sobretudo quando ainda estamos começando a sair do modelo monogâmico, existe um certo prazo de validade, mas tudo me leva a crer que vale a pena tentar, fazer a experiência e deixar o tempo dizer qual é o limite.
Estou estudando mais sobre as Rlis e espero que isso me ajude a pensar com mais calma e leveza sobre as relações que pretendo manter no Br.
As relações livres pressupõem a interação entre indivíduos autônomos (ou o mais próximo possível disso), o que me soa bastante interessante do ponto de vista da leveza da relação. As pessoas simplesmente se relacionam quando querem e com quem querem, afetiva e/ou sexualmente, mas sempre respeitando a autonomia, as vivências, os sentimentos das outras pessoas envolvidas.
O que eu considero um relacionamento ideal uniria o “modo“ rli e a quantidade monogâmica. Seria a situação na qual o casal estivesse junto porque se basta - não porque precisa estar junto exclusivamente - porque naquele intervalo de tempo x espaço, existe atração, afeição e respeito mútuos para que as duas pessoas fiquem juntas, e apenas elas. De um modo que elas queiram isso, dessa forma.
Nas relações mono que existem na sociedade capitalista atual, não é isso que acontece. As pessoas não decidem ficar juntas exclusivamente. Existe uma imposição da exclusividade, que vem carregada de uma série de comportamentos destrutivos, desrespeitosos, que vão contra a autonomia, a individualidade das pessoas. A ideia do amor romântico, com os sentimentos de posse, controle sobre o outro e ciúme são exemplos dos males desse modelo de monogamia.
Eu acredito que o espaço mais apropriado à destruição dessa lógica seja o âmbito das relações livres. Há muito tempo percebi que preciso primeiramente me educar quanto aos sentimentos de posse e controle. Sem buscar, antes de tudo, resolver os meus problemas de relacionamento, não poderei jamais viver uma relação saudável, plena, com respeito e carinho com qualquer outra pessoa.
Acredito que esse é o tipo de coisa que cada um precisa experimentar para poder saber o que acha de verdade, o que quer de verdade. Meu problema, no entanto, tem girado mais em torno da dificuldade de destruir certos hábitos sem haver uma relação estabelecida pra testar o bagulho. Quando tenho relações já estabelecidas com as quais posso tentar a reeducação, sinto que ainda romantizo demais, que ainda me sinto muito insegura em vários aspectos. Já quando tento iniciar relações nesse formato, elas costumam descambar diretamente para o consumo de sexo, sem geração de vínculo, de uma relação de verdade entre pessoas. Eu não quero me tornar uma simples “consumidora de sexo“, nem tampouco quero ser simplesmente consumida. Quero que sejam estabelecidas relações, com vínculos reais, sempre, independente do nível de afetividade que exista em cada uma.
Aqui na Fr, eu vivo falando que quero um PA, porque, nesse contexto de alto nível de instabilidade, seria ótimo ter alguém com quem sair, conversar, transar, mas sem ter que me envolver demais afetivamente, sem exclusividade, sem cobranças, sem amor, mas com respeito, com carinho, com vínculo real entre dois seres humanos, além de sucessivas cópulas. Eu sei que não é fácil, sobretudo quando ainda estamos começando a sair do modelo monogâmico, existe um certo prazo de validade, mas tudo me leva a crer que vale a pena tentar, fazer a experiência e deixar o tempo dizer qual é o limite.
Estou estudando mais sobre as Rlis e espero que isso me ajude a pensar com mais calma e leveza sobre as relações que pretendo manter no Br.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
20 anos blues
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de vinte anos
E eu tenho mais de mil
Perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de vinte anos
E eu tenho mais de mil
Perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos
Pelas veias de um jornal
Eu não te quero, eu te quero mal
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos
Pelas veias de um jornal
Eu não te quero, eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de vinte anos
E eu quero as cores
E os colirios, meus delirios
Estou ligada num futuro blue
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de vinte anos
E eu quero as cores
E os colirios, meus delirios
Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos
Pelas veias de um jornal
Eu não te quero, eu te quero mal
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos
Pelas veias de um jornal
Eu não te quero, eu te quero mal
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de vinte anos
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de vinte anos
Sueli Costa e Victor Martins
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Kinder surprise.
E aí que um belo dia da sua vida você é apresentada a um cara poucos anos mais velho, porém bastante inteligente, interessante, boa gente.
Daí que você passa 5 anos da sua vida conversando com essa pessoa, construindo uma bela amizade, mas sempre pensando no que aquilo poderia se tornar, caso houvessem alguns quilômetro a menos e um pouco de coragem a mais.
Daí que você vai fazer um intercâmbio na França e no meio do caminho, a milhares de quilômetros de distância e 4 horas de fuso-horário, aquele cara que você sempre desejou resolve dizer com todas as letras que quer você.
Do alto dos meus 22 dois anos, de quem pensa que não tem um segundo de vida a perder, a notícia vem com um leve toque amargo. Paira sobre mim o medo de que ele tenha se precipitado e que esta revelação mine a amizade que cultivamos com cuidado ao longo de tantos anos. Fora a imensa distância que nos mantém afastados, cada um no seu canto, sabe-se lá até quando.
Daí que você passa 5 anos da sua vida conversando com essa pessoa, construindo uma bela amizade, mas sempre pensando no que aquilo poderia se tornar, caso houvessem alguns quilômetro a menos e um pouco de coragem a mais.
Daí que você vai fazer um intercâmbio na França e no meio do caminho, a milhares de quilômetros de distância e 4 horas de fuso-horário, aquele cara que você sempre desejou resolve dizer com todas as letras que quer você.
Do alto dos meus 22 dois anos, de quem pensa que não tem um segundo de vida a perder, a notícia vem com um leve toque amargo. Paira sobre mim o medo de que ele tenha se precipitado e que esta revelação mine a amizade que cultivamos com cuidado ao longo de tantos anos. Fora a imensa distância que nos mantém afastados, cada um no seu canto, sabe-se lá até quando.
Fico feliz de saber que tenho bons encontros me esperando na volta pra casa e não espero nada além disso. Quero primar pela leveza, pela naturalidade. Não quero atropelar nenhuma palavra dessa história, porque sei que pode ser a chave para o fracasso, para que eu perca a oportunidade de viver momentos felizes e simples com alguém que gosto. Sei, porque já fracassei antes. Mas aprendi.
Não é uma pessoa difícil de se apaixonar, nem um pouco. Mas os sentimentos não são tudo numa história como a nossa. E eu já estou bem satisfeita com o que construímos até agora.
Ps. E estou ansiosa pelo sexo, também, não vou mentir, porque pelas conversas que já tivemos, tem tudo pra ser ótimo.
Ps.s. Hoje foi um dia difícil prozinimigo.
Ps.s. Hoje foi um dia difícil prozinimigo.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Ti.
Hoje eu li a declaração mais tocante em que já pus os olhos, sobre o carnaval. Me deu saudade. Mas não aquele saudosismo da terrinha. Não. Senti saudade de mim, de sentimentos que já alimentei, de palavras que ouvi, de boca que beijei.
Também me deu vontade. Uma enorme vontade de saber se a saudade que eu senti já pediu parada pelas bandas de lá. Aquela vontadezinha agridoce de ser naqueles tempos a mulher que sou hoje. Vontade insensata de dar mais uma chance pra mesma história.
Eu já sei que daqui até a gente se encontrar de novo, eu vou construir e destruir toda uma relação que a gente não viveu, nem vai viver. Tudo aqui, dentro da minha cabeça.
Eu sei que vou te olhar de longe. Te admirar. Te negar. Te desejar e te odiar. Te perdoar e te culpar. Te esquecer e te lembrar. Calada. Só.
Também me deu vontade. Uma enorme vontade de saber se a saudade que eu senti já pediu parada pelas bandas de lá. Aquela vontadezinha agridoce de ser naqueles tempos a mulher que sou hoje. Vontade insensata de dar mais uma chance pra mesma história.
Eu já sei que daqui até a gente se encontrar de novo, eu vou construir e destruir toda uma relação que a gente não viveu, nem vai viver. Tudo aqui, dentro da minha cabeça.
Eu sei que vou te olhar de longe. Te admirar. Te negar. Te desejar e te odiar. Te perdoar e te culpar. Te esquecer e te lembrar. Calada. Só.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Fatiguée
Hoje completo 6 meses vivendo na França. Tenho que admitir que, em muitos aspectos, tem sido uma grande decepção. Acho que a gente acaba criando muitas ilusões sobre a Europa e o que chamam de primeiro mundo. Mas a culpa me parece mais deles do que nossa. De todo modo, minha intenção não é procurar violões pra minha própria história, apenas dar aquela velha reclamadinha de sempre. Eu criei uma imagem da França que estava totalmente baseada no lado mais poético que esse país e esse povo têm a oferecer, mas me meti justamente no lado oposto, no lado dos cálculos, das regras, dos engenheiros. Ou seja, saí de um espaço fechado procurando ar em um mais fechado ainda. Ok, vacilei. Mas foi uma tentativa, ao menos. E a cidade também não ajudou em nada. Afinal, não dá pra negar que uma Paris ou uma Bordeaux da vida soam bem mais interessantes do que uma cidade que os próprios franceses mal sabem onde fica.
Ainda tenho esperanças de tomar umas boas doses de cultura nessa terra de queijo fedido. Vamos ver se tenho mais sorte nos próximos meses.
À tout à l'heure!
Ainda tenho esperanças de tomar umas boas doses de cultura nessa terra de queijo fedido. Vamos ver se tenho mais sorte nos próximos meses.
À tout à l'heure!
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