Eu estou a alguns dias de resolver minha vida pelos próximos seis meses. A princípio, a ideia de voltar ao Brasil sem ter feito o que me propus e lutei pra fazer me deixou bastante triste. Eu abdiquei de muita coisa, inclusive da minha saúde, para estar aqui até agora e continuar tentando cumprir a missão que eu mesma me dei. Quem me julgou, quem me mal tratou, quem me desrespeitou durante o tempo que estive aqui não sabe da missa uma oraçãozinha que seja. Mas depois da pêa, depois de chorar bastante, depois de voltar-me à quem me sustenta e ver que está tudo bem, eu consegui ver as coisas com mais clareza. Voltar ao Brasil agora certamente me fará mais bem do que mal. É uma nova chance que eu encarava como fracasso, é uma oportunidade de recolocar minha vida nos eixos. Existem ônus, sempre existem, mas não creio que sejam maiores do que os benefícios que terei em casa, com o meu povo, com a minha cultura, com a minha vida “normal“.
Por outro lado, a possibilidade de ficar aqui vem com a impressão de que posso “consertar“ as coisas. De que o que quer que eu tenha feito de errado pode ser superado e que eu sou mais do que tentaram me fazer crer; vem com a possibilidade de dizer que eu falo francês, sim, de que minhas notas não foram ruins e que o meu conhecimento não é menor do que o dos alunos franceses, apenas diferente.
Eu não me sinto nem um pouco impelida a provar algo pra qualquer pessoa aqui, muito menos as que me trataram mal. Mas a experiência profissional que busco pode ser capaz de me mostrar que eu não estava errada, me confirmar o que eu já sei e, com isso, devolver um pouco da autoconfiança que arrancaram de mim. É uma chance de me reestruturar e voltar para o Brasil do mesmo modo que cheguei aqui, plena.
Os inimigos tiveram lá seus dias de alegria às minhas custas, mas espero que tenham aproveitado ao máximo, porque c‘est fini.
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