terça-feira, 31 de março de 2015

Bordeaux, pode me chamar que eu vou, eu vou, eu já tô aí.

Finalement, eu encontrei um estágio. E é numa empresa grande, de um grupo maior ainda, ambos líderes de mercado na França e até em alguns outros países. Isso deve me ajudar a encontrar trabalho quando voltar ao Brasil, como eu tinha planejado. Planos. Eu gosto de planos, eu gosto dessa sensação e me sinto muito feliz de ver minha vida entrando nos eixos novamente, as coisas finalmente começando a dar certo para mim nesse País.
Não costumo ser supersticiosa com relação a isso, mas a impressão que ficou é a de que as coisas chegam para mim quando eu já não as desejo tanto assim, quando eu aceito que elas não virão, quando cogito ou mesmo decido que não quero mais. Talvez seja uma lição, talvez não.
A melhor parte disso tudo é que vou morar em Bordeaux. Sim, uma das minhas cidades preferidas no mundo inteiro, um dos lugares mais belos que já vi, em todos os sentidos. Arquitetura riquíssima, cultura mais ainda, vida noturna agitada, gente bonita e simpática pra todo lado, belezas naturais e, claro, muito vinho. Me sinto indescritivelmente feliz de poder ter essa experiência. A vivência francesa que eu buscava quando decidi fazer este intercâmbio.

Agora, só resta comemorar, arrumar toda a bagunça física e burocrática, e aproveitar tudo que essa cidade e essa experiência maravilhosas têm a me oferecer.

Deixo a foto da praça da prefeitura da cidade, onde fica o espelho d‘água. Não é só porque a foto é de qualidade não, viu, gente? Se vocês puderem ir até lá um dia, verão que é bem assim mesmo.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Eu passei todos aqueles dias pensando sobre a tal chamada de xinxa que o bóe tinha dado, me perguntando sobre como seria, conjecturando à milésima potência e tudo essa “pensaçãp“ fez um total de zero diferença na minha vida, na prática, no meu dia a dia, seja aqui na França, seja no Brasil.

E tô falando isso, porque ansiedade é o diabo. Basta você ter um motivo pra ficar ansiosa, que ela ressucita todos os outros motivos possíveis e impossíveis, todas as coisas que não tem a menor necessidade de você ficar pensando.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Eu só quero um amor que acalme o meu sofrer.

Quando estou muito ansiosa ou estressada ou ainda ambos, só desejo que alguém me puxe de lado, me ajude a acalmar meu coração e me ocupe pra que eu não tenha nem um segundinho de sobra pra pensar em outras coisa que não o que a gente estiver fazendo junto.

E o que acaba sendo chatinho é ver que:
1- não tem ninguém pra fazer isso, porque eu estou longe de todos que amo;
2- mesmo no Brasil, não tem nenhum pretendente apto a tal tarefa;
3- na real, não tem nenhum pretendente “du tout“.


sábado, 7 de março de 2015

Sobre gostos.

É engraçado perceber o amadurecimento do nosso próprio paladar, sabe? Quando eu comecei a ler o blog “Simplesmente Delícia“ lembro que não gostava da maioria das receitas e nunca tinha sequer ouvido falar em alguns ingredientes. Hoje em dia fico me perguntando porque diabos eu nunca fiz certas receitas do blog e querendo salvar tudo em algum lugar fácil de acessar quando eu precisar de uma boa e simples ideia para aperitivos, saladas e doces.

http://www.simplesmentedelicia.com/index.php?paged=22

C‘est fini.

Eu estou a alguns dias de resolver minha vida pelos próximos seis meses. A princípio, a ideia de voltar ao Brasil sem ter feito o que me propus e lutei pra fazer me deixou bastante triste. Eu abdiquei de muita coisa, inclusive da minha saúde, para estar aqui até agora e continuar tentando cumprir a missão que eu mesma me dei. Quem me julgou, quem me mal tratou, quem me desrespeitou durante o tempo que estive aqui não sabe da missa uma oraçãozinha que seja. Mas depois da pêa, depois de chorar bastante, depois de voltar-me à quem me sustenta e ver que está tudo bem, eu consegui ver as coisas com mais clareza. Voltar ao Brasil agora certamente me fará mais bem do que mal. É uma nova chance que eu encarava como fracasso, é uma oportunidade de recolocar minha vida nos eixos. Existem ônus, sempre existem, mas não creio que sejam maiores do que os benefícios que terei em casa, com o meu povo, com a minha cultura, com a minha vida “normal“.
Por outro lado, a possibilidade de ficar aqui vem com a impressão de que posso “consertar“ as coisas. De que o que quer que eu tenha feito de errado pode ser superado e que eu sou mais do que tentaram me fazer crer; vem com a possibilidade de dizer que eu falo francês, sim, de que minhas notas não foram ruins e que o meu conhecimento não é menor do que o dos alunos franceses, apenas diferente.
Eu não me sinto nem um pouco impelida a provar algo pra qualquer pessoa aqui, muito menos as que me trataram mal. Mas a experiência profissional que busco pode ser capaz de me mostrar que eu não estava errada, me confirmar o que eu já sei e, com isso, devolver um pouco da autoconfiança que arrancaram de mim. É uma chance de me reestruturar e voltar para o Brasil do mesmo modo que cheguei aqui, plena.

Os inimigos tiveram lá seus dias de alegria às minhas custas, mas espero que tenham aproveitado ao máximo, porque c‘est fini.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu vim fazer um intercâmbio de um ano aqui na França e fui alocada no último ano do curso de génie industriel, que é o equivalente ao meu curso do Brasil. Sendo assim, tive que cursar 6 meses de aula e depois teria fazer mais 6 meses de estágio. Tive muita dificuldade de adaptação e isso acabou se refletindo um pouco na minha dificuldade de encontrar um estágio. O fato é que desde o dia que pus os pés nesta école sou tratada pior do que o cocô do cavalo do bandido, acabei precisando inclusive de ajuda psicológica e psiquiátrica, de medicação e a parada toda. Daí, na reta final da parada, me jogam pra uma mulher que não acompanhou um passo da minha trajetória nesse inferno e passa o dia me culpando por tudo, sob a justificativa de que está me ajudando a encontrar o diabo do estágio. Pra vocês terem noção, hoje eu até sonhei com essa pessoa. Sonhei que estava discutindo com ela e dizendo tudo que eu pensava sobre os franceses, a école e a porra toda. Bem queria poder fazer isso, mas até acertar minha situação aqui eu tenho que ficar pianinho.

terça-feira, 3 de março de 2015

Divagações sobre as relações que desejo ter.

Duas coisas me motivam primordialmente a experimentar o universo das relações livres: uma é a leveza que esse tipo de relação carrega (teoricamente, claro) e outra é a possibilidade de destruir certos comportamentos mantidos na lógica monogâmica de se relacionar.
As relações livres pressupõem a interação entre indivíduos autônomos (ou o mais próximo possível disso), o que me soa bastante interessante do ponto de vista da leveza da relação. As pessoas simplesmente se relacionam quando querem e com quem querem, afetiva e/ou sexualmente, mas sempre respeitando a autonomia, as vivências, os sentimentos das outras pessoas envolvidas.
O que eu considero um relacionamento ideal uniria o “modo“ rli e a quantidade monogâmica. Seria a situação na qual o casal estivesse junto porque se basta - não porque precisa estar junto exclusivamente - porque naquele intervalo de tempo x espaço, existe atração, afeição e respeito mútuos para que as duas pessoas fiquem juntas, e apenas elas. De um modo que elas queiram isso, dessa forma.
Nas relações mono que existem na sociedade capitalista atual, não é isso que acontece. As pessoas não decidem ficar juntas exclusivamente. Existe uma imposição da exclusividade, que vem carregada de uma série de comportamentos destrutivos, desrespeitosos, que vão contra a autonomia, a individualidade das pessoas. A ideia do amor romântico, com os sentimentos de posse, controle sobre o outro e ciúme são exemplos dos males desse modelo de monogamia.
Eu acredito que o espaço mais apropriado à destruição dessa lógica seja o âmbito das relações livres. Há muito tempo percebi que preciso primeiramente me educar quanto aos sentimentos de posse e controle. Sem buscar, antes de tudo, resolver os meus problemas de relacionamento, não poderei jamais viver uma relação saudável, plena, com respeito e carinho com qualquer outra pessoa.

Acredito que esse é o tipo de coisa que cada um precisa experimentar para poder saber o que acha de verdade, o que quer de verdade. Meu problema, no entanto, tem girado mais em torno da dificuldade de destruir certos hábitos sem haver uma relação estabelecida pra testar o bagulho. Quando tenho relações já estabelecidas com as quais posso tentar a reeducação, sinto que ainda romantizo demais, que ainda me sinto muito insegura em vários aspectos. Já quando tento iniciar relações nesse formato, elas costumam descambar diretamente para o consumo de sexo, sem geração de vínculo, de uma relação de verdade entre pessoas. Eu não quero me tornar uma simples “consumidora de sexo“, nem tampouco quero ser simplesmente consumida. Quero que sejam estabelecidas relações, com vínculos reais, sempre, independente do nível de afetividade que exista em cada uma.

Aqui na Fr, eu vivo falando que quero um PA, porque, nesse contexto de alto nível de instabilidade, seria ótimo ter alguém com quem sair, conversar, transar, mas sem ter que me envolver demais afetivamente, sem exclusividade, sem cobranças, sem amor, mas com respeito, com carinho, com vínculo real entre dois seres humanos, além de sucessivas cópulas. Eu sei que não é fácil, sobretudo quando ainda estamos começando a sair do modelo monogâmico, existe um certo prazo de validade, mas tudo me leva a crer que vale a pena tentar, fazer a experiência e deixar o tempo dizer qual é o limite.

Estou estudando mais sobre as Rlis e espero que isso me ajude a pensar com mais calma e leveza sobre as relações que pretendo manter no Br.