terça-feira, 12 de julho de 2022

Censo transa e suas implicações

Esses dias vi um tuíte que falava mais ou menos assim: "se você ganhasse 1 real por cada pessoa com quem transou na vida, o que conseguiria comprar?". Fiquei pensando sobre isso e percebi que não lembrava direito com quantas pessoas já tinha transado e nem dos nomes de algumas dessas pessoas. Por causa disso, resolvi fazer meu censo transa, aproveitando que os 30 estão batendo na porta.

Listar todas as pessoas com quem transei, do encontro mais casual à relação mais duradoura, me fez pensar bastante sobre o meu modo de me relacionar afetiva e sexualmente. Algumas marcas ficaram mais evidentes, o aprendizado sobre o outro, por ter me permitido conhecer pessoas tão diferentes e me abrir pras dores delas. Pude perceber também a contradição entre o que eu oferecia e o que eu efetivamente buscava. Fazer esse movimento de olhar para trás é interessante para observar padrões de comportamento, mas também pra observar o meu próprio amadurecimento.

Não tenho a pretensão de trazer qualquer lição moral sobre a quantidade de encontros sexuais que tive ou o fato de não lembrar de todos. Acho que não há problema algum nisso, porque cada encontro teve a importância que deveria ter no momento em que aconteceu. Em alguns casos, o significado do encontro transcede o momento, em outros não, tudo certo, todo mundo adulto, consciente e vacinado.

É preciso ter consciência do que cada experiência me trouxe de positivo e também o que me roubou de mim. Certas coisas a gente tem que deixar de lado mesmo, pra seguir com mais potência, com mais liberdade. Outras a gente sente por ter perdido. Mas esse olhar pra trás é também uma oportunidade de resgate, de lembrar um pouco quem fui em cada um desses encontros e o que eu acho que vale a pena trazer de volta pras minhas relações atuais. E, do mesmo modo, enterrar de vez certas atitudes que não têm mais razão de existir na minha vida.

Todas essas reflexões não se deram no vácuo, só por causa de um tuíte. Tem muita terapia e um contato mto mais próximo com as minhas profundezas pra amparar o processo. Aprender a olhar pra mim, sabere identificar o que eu quero e quem eu sou é fundamental para me curar de algumas relações, de alguns padrões e também pra enxergar a beleza e a força da minha existência como ser humano, como mulher.

Agora, tenho mais maturidade para entender que o luto, a cura e o amadurecimento não são processos lineares. Precisa ter altos e baixos para poder ter movimento, porque é se movimentando que a gente avança. 

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Surtos leves e tênis

Que doideira, esta fase da vida, viu? Muita incerteza e também muita autodescoberta. 

Finalmente me sinto bem mais tranquila e em paz com relação ao último término. Começo a sentir uma certa abertura emocional, uma vontade de conhecer gente, me experimentar de novo. Um sentimento genuíno de renovação. 

Também venho me sentindo mais tranquila com relação à vida profissional. Entendendo melhor o que eu preciso fazer, como preciso agir para começar a ter os resultados que desejo. Tenho mais clareza sobre o processo de cura e a repercussão desse processo em todas as áreas da minha vida. 

Parece muito óbvio, porque é algo que a gente sempre ouve por aí, mas a verdadeira compressão de que tudo dentro de nós está conectado é muito reveladora e pacificadora. Não adianta querer avançar no âmbito profissional sem ter curado certas feridas emocionais, porque eu não estarei pronta para lidar com os desafios emocionais que o tal avanço profissional irá me trazer. É um pouco como na época do colégio, sabe? Para passar de ano, não adianta tirar 10 em matemática e 5 em português. É preciso ter um certo equilíbrio pra conseguir seguir em frente, caso contrário, será necessário ficar mais um tempo nessa fase, repetir de ano.

Considerando o quanto sou ansiosa e intensa, acho que estou lidando bem com este momento. Percebo as "armadilhas" pelo caminho, que me fariam regredir um pouco nessa caminhada. Acho que a temporada canceriana tem me ajudado a deixar fluir os sentimentos, diluir um pouco a intensidade, para não me precipitar em nada. E não por medo do que podem pensar ou achar, mas por entender que não tem necessidade e que não me faz bem a pressa.

Semana passada fui à praia e quando entrei no mar a água estava deliciosa: calma fresca, quase como uma piscina gigantescamente viva. É um pouco assim que sinto esses dias, levando as demandas da vida com certa leveza, sem tanto aperreio, tentando me organizar e agir como me parece possível, viável. 

Algumas lições ainda são duras, mas estabeleci um compromisso para tentar lidar melhor com elas. Preciso impregnar minha mente de uma nova perspectiva sobre mim e apesar de ter que agir conscientemente para alcançar esse objetivo, sei que não posso forçar nada ou mesmo fingir que está acontecendo. Não é o caso de aplicar o 'fake until you make it", é mais sobre entender o tempo do processo e verdadeiramente acolhê-lo. Paciência, paciência.