No fim deste mês completo 23 anos de idade. Acho que estou começando aquele período de retrospectiva, de avaliação do meu ano, de preparação para a próxima revolução astral.
Tenho agido mais impulsivamente do que realmente gostaria, mas fico feliz de conseguir reconhecer isso antes de enfiar os pés pelas mãos. Sei que todas essas recentes mudanças têm total relação com o meu estado de ansiedade. Eu me sinto um pouco perturbada, angustiada, inquieta. Sinto uma falta imensa de situações que vivi lá fora. Mesmo que tivesse continuado lá, sei que elas não se repetiriam ou perdurariam, mas essa consciência não me impede de associar os meus sentimentos àquele lugar.
Eu também sei que existe muito de carência em tudo isso. Voltar ao Brasil e continuar distante de tantas pessoas amadas me faz sentir aprisionada, novamente. Mais uma vez me sinto insegura e receosa sobre cada decisão que tomo, cada passo que dou. Tenho medo de cometer erros que envolvam e principalmente prejudiquem outras pessoas. Aqui eu não me sinto independente e eu volto a sentir o peso desta condição.
Eu gostaria mesmo é de poder ver logo as pessoas e não ficar conjecturando tanto sobre cada uma delas ou mesmo sobre o momento de encontrá-las. Também gostaria de enxergar mais sinceridade em algumas dessas pessoas (homens, pra variar).
Ah, sei lá.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Quando cheguei tudo, tudo, tudo estava mudado.
Uma semana atrás eu voltava da França para a casa dos meus pais. Não é de hoje que chamo essa casa assim. Um lugar que durante 18 anos fora simplesmente o meu lar, aos poucos, foi perdendo essa conotação. Acho que as mudanças físicas, estruturais, me ajudaram a dissociar um pouco a casa dos meus pais da minha própria casa. Embora seja o lugar em que cresci e passei a maior parte da minha vida, está muito diferente. Eu mal consigo lembrar de como eram alguns cômodos, as cores dos pisos e das paredes, os móveis que usamos durante anos e anos.
A vida aqui também é outra, principalmente porque eu sou outra. E ser outra tem sido cada vez mais evidente, mais gritante para esta casa, esta família. Sei que falando assim parece até que algo de muito incômodo, de grave, tenha acontecido nesta primeira semana. Mas não. Pra fora da minha pele, tudo está mais ou menos como deveria, como o planejado.
A vida aqui também é outra, principalmente porque eu sou outra. E ser outra tem sido cada vez mais evidente, mais gritante para esta casa, esta família. Sei que falando assim parece até que algo de muito incômodo, de grave, tenha acontecido nesta primeira semana. Mas não. Pra fora da minha pele, tudo está mais ou menos como deveria, como o planejado.
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