quarta-feira, 12 de junho de 2024

12/06

 Você chegou sem eu te convidar e sem que eu pedisse nada. Você foi me oferecendo, me afirmando, me assegurando, e eu fui encontrando caminhos pra deixar minhas bagagens para atrás, me abrir e renovar. eu me sentia em casa. mas como era a minha casa?

eu sentia que tinha encontrado "a minha pessoa" e não precisava mais me preocupar, pq independente do que acontecesse, a gnt resolveria com respeito. mas não foi assim. até hoje tenho um pouco de dificuldade de entender o que te motivou a agir como agiu. foi "apenas" imaturidade? você enxergou algo em mim que te desagradou? por que de uma semana para outra o "eu te amo", que antes tinha tanta importância e significado já não existia? por que em tão poucos dias você saiu de "talvez eu more junto com essa pessoa" para não me ter mais na sua vida? eu não te cobrei compromisso, não te pedi que quisesse casar comigo, namorar comigo, isso você mesmo ofereceu ou trouxe à tona. eu só pedi presença. eu pedi pra te ver, pra estar junto, pra ficar perto mesmo que fosse descansando. mas vc não queria esse compromisso. você não queria "ter que" nada. 

eu quis tanto que vc estivesse pronto. quis tanto que vc enxergasse a força disso tudo. não sei até que ponto vc reconheceu que não queria mesmo me oferecer o que estava prometendo e até que ponto você considerou que não dava pra viver comigo aquilo que você desejava.

não sei o que você queria de fato. nem sei se você sabia. eu queria você, mas não a qualquer custo. queria que a gnt crescesse juntos, queria passar o tempo contigo, queria conhecer o seu mundo e te trazer pro meu.

eu escrevo isso aqui pra tentar tirar de mim o que ainda resta, porque eu não quero mais pensar nisso. não quero mais pensar no que poderia ter sido, nem no que de fato foi. quero limpar meu coração pra seguir em frente, porque "mãos cheias não conseguem receber". e eu quero e mereceço receber. quero me conectar com alguém que tenha a mesma coragem que eu tenho de viver, de me entregar, de amar, de me comprometer.

quero me sentir de fato livre, leve, sem arrastar mais nenhuma corrente desse passado. a sua escolha foi feita e a minha também.  


quando você falou que me amava, isso significou pra mim que eu podia descansar ali, que eu podia ser eu mesma e ser amada exatamente por isso. que eu não precisava me preocupar, nem tentar me acomodar. que eu podia enfim me curar (fortalecer) das dores que ainda carregava por tudo que vivi no meu passado de relacionamentos. me senti feliz de ver que eu ainda sabia amar, que mesmo com medo, eu conseguia me permitir viver, sentir, celebrar.

assim como vc, a forma como aprendi a amar, minhas primeiras referências de amor e afeto, não foram mto legais, nem mto saudáveis. mas eu me comprometi comigo mesma a construir uma forma de ser e agir que fossem mais amorosas, que vibrassem mais alto. eu não sei se vc fez isso.

não sei se a sua "desistência" foi por medo de se entregar, medo de não "dar conta" do compromisso, mas eu sei que não foi por "cobrança" minha.

eu não sou perfeita. eu sei que carregava uma rigidez sobre como as coisas deveriam ser, sobre o que eu queria viver. mas eu tava mto disposta a construir isso junto contigo, porque você dizia querer as mesmas coisas. eu não tirei essa confiança do meu cu. eu tirei das suas palavras.


quando eu lembro como fiquei naqueles 15 dias, é mto dolorido pra mim. foi mto cruel, sabe? mesmo não sendo proposital, foi mta falta de cuidado, de respeito, de consideração comigo. e eu não fiz nada pra receber isso. mto pelo contrário. e isso tbm me entristece, perceber que a dor que você me causou foi maior que o amor. pq não deu tempo de cultivar esse amor. o tempo que eu fiquei em sofrimento foi 1/4 do tempo que vivemos juntos. foi mais tempo do que o período entre o seu primeiro "eu te amo" e o último.


eu não me arrependo de ter vivido isso, pq da minha parte foi genuíno e diz mto da minha capacidade de amar, da minha coragem de me entregar, da minha paixão pela vida e do meu modo intenso de existir. eu não me culpo, porque não poderia prever que você agiria como agiu, nem sinto que te provoquei a agir assim.

hoje eu já consigo entender as lições que eu poderia aprender nessa experiência, sobre mim, sobre nossa conexão, sobre o meu caminho de vida e sobre a espiritualidade. tem coisas que realmente não me cabem mais e agora eu tenho mais firmeza quanto a isso.

sábado, 18 de maio de 2024

Sei lá

Dezenove de maio. Já faz quase 2 meses do eclipse lunar que finalizou a nossa história. Quero tanto seguir em frente e não sentir mais nada. Ao mesmo tempo que ainda penso tanto na gente e em como tudo poderia ter sido diferente. Não aguento mais pensar nisso. Não aguento mais esse complexo de salvadora que me faz querer te levar junto comigo pra um caminho de mais luz. Mas eu não sou salvadora de ninguém, eu não quero essa responsabilidade, essa expectativa, porque isso não é real. Só quem pode salvá-lo é ele mesmo. Assim como eu despertei pela minha própria vontade. Eu fui convidada e aceitei o convite, firmei o compromisso e levo essa decisão comigo no meu coração, como uma certeza e uma luz muito fortes.

Eu ainda não consigo entender porque a gente se conheceu se era pra tudo acabar assim. Talvez fosse esse entendimento claro de que eu não posso jamais me distanciar do meu caminho, desse compromisso que assumi ou até que eu não posso mais voltar atrás em alguns hábitos. Beber em excesso e fumar já não faziam mais parte da minha vida. Gostar de falar mal das pessoas não fazia mais parte da minha vida. O ceticismo não fazia mais parte da minha vida. De fato, ele chegou como um espelho, tanto da minha luz quanto da minha sombra. Aquele potencial gigantesco de força, poder, inteligência, eu também tenho. Mas aquela dificuldade de reconhecer o próprio valor, o apego a hábitos ruins, a preguiça e a estagnação, eu também tenho. Parte disso já consegui trabalhar e vencer. Outra parte, ainda estava ou está em mim. É um processo, mas acho que essa situação toda também me traz a confirmação de que não posso voltar atrás nessa caminhada. A minha paz de espírito, o meu alinhamento comigo mesma e com o universo precisam prevalecer. 

Talvez você tenha vindo para que eu enxergasse por outra perspectiva minha luz e minha sombra, pra seguir em frente de forma mais consciente e entendendo melhor a importância do comprometimento e da disciplina para o meu crescimento.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Souvenirs oubliés

 LG, [13/02/2024 05:18]

Hoje foi a terceira vez que a gnt se viu. O 16° dia desde que começamos a nos falar naquele app de mensagens. Nem foi nossa primeira conversa, na verdade. Você que me disse, eu não lembrava direito. É estranho isso de reconhecer o outro, mas não lembrar direito. Diz muito do quanto eu andava vivendo sem ver a vida de fato, sem sentir, sem me permitir recordar os encontros. Mas hoje a gente se viu pela terceira vez. Aos 16 dias de troca. Assim como a conversa do "primeiro dia", cada encontro é um reencontro, uma continuação de algo que simplesmente aconteceria, porque em algum tempo ou espaço, já acontecia. Bento também sente esse reencontro, te fareja e te pressente antes mesmo de você chegar. A sensibilidade dele é maior e por isso me anuncia a sua aproximação. Ou o que ele sente é reflexo do que eu já guardo aqui.


LG, [13/02/2024 05:23]

Não sinto que sou sua, como uma posse, como obrigação. Sinto que sou sua como destinada, como o encontro sereno com o lar, depois de uma longa viagem. Não sei se vivemos o que vivemos pra nos encontrarmos aqui, se foi algum tipo de preparação, de benção ou de presente.


LG, [13/02/2024 05:25]

Sei que é doce e confortável como um abraço, mas intenso e vivido como uma grande chama acesa, que aquece e traz aconchego, mas no limite também queima.

domingo, 12 de maio de 2024

Seria Frida Kahlo.

 Hoje pensei muito em você. Aliás, nos últimos dias venho pensando muito em você. Mas, graças a experiências anteriores, eu já sei que posso disciplinar o meu pensamento e não deixar que as memórias e curiosidades que tenho a respeito de você dominem a minha mente. Escrever sobre você é uma forma de descarregar essa energia que permanece aqui. Não sei direito até que ponto é uma energia que ainda está ou é uma energia que retorna. Sei que a nossa ligação foi muito forte e uma parte de mim acredita que isso pode nos manter ligados de uma maneira que não é muito legal e nem intencional.

Independente do motivo, estou decidida a me esforçar mais para me limpar de toda energia relacionada a você e poder assim enfraquecer ao máximo a nossa conexão. 

Você decidiu sair da minha vida de forma abrupta e não tem nada que eu possa fazer sobre isso, além de aceitar e seguir em frente com a minha vida, focada na minha jornada. Hoje, entendo um pouco melhor o que pode ter motivado essa ruptura, mas ainda é difícil superar completamente. Eu sei que tenho o conhecimento e os recursos para cortar esse laço energético e me proteger de forma mais efetiva, então, por que não o faço? É difícil admitir para mim mesma que eu contribuo para que essa conexão se mantenha, mesmo sabendo que não faz bem a nenhum de nós dois.

Este é um daqueles momentos em que a gente encara a sombra de frente, se envergonha, resiste em aceitar, mas precisa ser honesto consigo e admitir que, sim, existe uma parte de mim que contribui para que essa situação se arraste.

Acho que tenho medo de me mover em outra direção, porque conheço a minha capacidade de superação. Sei que, se eu me esforçar o suficiente, não vou sentir mais nada. Mas eu quero sentir algo. Eu quero manter esse vínculo. Como é doloroso admitir isso. É como enxergar que é a minha própria mão que segura o punhal que atravessa o meu peito. Se fosse uma obra de arte, seria certamente de Frida Kahlo.

***

É interessante pensar como a tomada de consciência funciona. Às vezes, primeiro se entende racionalmente, depois se assume uma postura. Em outras, a postura muda primeiro e a partir dela vem a percepção racional da mudança.

Eu primeiro decidi fazer os rituais e só depois admiti conscientemente a necessidade deles. Os rituais são necessários, porque eu não consigo saber o que está vindo em minha direção, nem de onde está vido. Mas não é só isso. Os rituais se fazem necessários para que eu, da minha parte, encerre essa situação de uma vez por todas. Sem pensar num futuro possível.

Essa necessidade de ritualizar me lembra o 8 de copas. É preciso abandonar, sem a esperança de retorno. Qualquer dissimulação do abandono, aqui, é em vão, porque ao fingir que se abandona, já não há abandono. Me forçar a encerrar esse vínculo pela expectativa de revivê-lo no futuro é, no fim das contas, não encerrar. Quando há esperança, não existe fim, corte, encerramento. Existe, no máximo, um até logo. Mas aí é que está: uma parte de mim quer que seja um até logo. Por quê? Não sei, não consigo saber e já estou cansada de procurar respostas sobre essa pergunta. Me resignei a aceitar que simplesmente não posso saber. Talvez algum dia venha a saber, talvez não. O fato é que não posso contar com isso, porque é mais um grãozinho de esperança que se acumula dentro de mim.

Sou grata pelas respostas que a espiritualidade já me deu e quero acreditar que são suficientes, mesmo que, por enquanto, seja tão difícil ver a situação dessa maneira.

Ao mesmo tempo que confio e acredito que da maneira como a espiritualidade me guia, o meu caminho é melhor, mais sadio e frutífero, tem uma partezinha de mim que queria diferente. Mais uma vez, o olhar para a sombra é doloroso demais. Por que ainda desejo para mim algo que não me faz bem?

Tenho que me acostumar a viver sem os vícios da matéria. Me tratar bem, com respeito ao meu corpo e a minha energia precisa ser um hábito, precisa ser tão comum, que a simples menção a algo contrário me cause incômodo. 

O meu espírito sabia que eu tinha força suficiente para encarar os vícios de pensamento, comportamento e sentimento. Agora eu vou honrar o meu espírito e mostrar para mim mesma que eu reconheço o meu poder de me transformar, a minha força de vontade, a minha perseverança. E sei que a minha espiritualidade me auxilia nessa empreitada.

Está feito, está feito, está feito!

sexta-feira, 19 de abril de 2024

O mundo - Completude

 Hoje eu recebi o restante das coisas que tinham ficado em sua casa. Não pude me entregar ao que verdadeiramente estava sentindo, porque minha mãe está aqui em casa e ela não sabe de nada do que vivemos. Uma parte de mim fica querendo se sentir culpada, ou talvez constrangida, por ter resolvido essa situação com sua irmã e não com ele. Mas não foi escolha minha. Algumas horas depois dessa entrega, eu me sinto finalmente em paz. Nem sei se estava esperando por isso, por essa sensação de paz, de uma certa completude. Minha intenção era apenas cortas esse último fio que ainda unia o meu pensamento a ele e a tudo o que vivemos. Talvez, ter a coragem de fazer esse movimento, por mim, fosse justamente o que eu precisava para ficar bem. Não tanto pelo vínculo energético, mas pelo que a intenção da atitude representa. A intenção foi de me fazer sentir bem, de romper de uma vez com qualquer expectativa que ainda restasse. É como se dissesse pra vida: eu recuso o sofrimento, a dor, as mágoas, o passado; eu quero a minha porção de felicidade, a minha porção de amor, a reciprocidade que eu mereço. É uma espécie de reconhecimento também. 

Mais cedo, reclamei da possibilidade de ter que lidar com essa questão novamente em outra vida, considerando os sinais cármicos que já observei nesse encontro. Agora, percebo que talvez eu não esteja carregando nenhum tipo de pendência para outra vida. Eu me entreguei, acreditei, confiei, fui traída, aceitei e superei. Eu encerrei o ciclo, eu aprendi minhas lições, eu não estou deixando nada pendente com ele.

Ainda tenho a sensação de que nossa história não acaba aqui, porque sei que o que ele me fez vai ser pago de alguma maneira, mas também porque acredito na sua evolução. É estranho, isso. Essa fé que eu tenho na luz dele, apesar de toda a sombra que já conheci. Essa parte eu entrego pra espiritualidade, não faço questão de entender muito bem. No fundo, não me importa mais e também não faz diferença alguma. Aliás, nada relacionado a ele faz diferença, porque seguimos caminhos totalmente distintos. Existe algo que ainda nos puxa um para o outro - ou que me puxava pra você - mas é como se essa força se enfraquecesse no momento em que tudo ficou claro para mim. Quando me fortaleço, a minha força vence qualquer energia que tenta me puxar para longe do meu próprio caminho.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Eu confio

Vejo umas leituras que dizem que você está triste pelo nosso afastamento. Não sei se acredito. Não sinto isso de nenhuma maneira. Mas também não sei se esse não sentir tem a ver com a nossa desconexão, porque me sinto, sim, cada dia mais conectada com o meu futuro, sem você. Um futuro em que você já não habita mais a minha mente e o meu coração. Diria que o que sinto hoje é mais apego e a verdade da conexão que existiu. Verdade nem é sentimento, mas aqui é como se fosse, talvez por falta de nome melhor.

Eu ainda fico achando que sei a sequência dos fatos na sua vida: seu primo vai te decepcionar, você vai finalmente enxergar que não vale a pena ficar próximo de alguém que te inveja; você vai ganhar consciência de tudo que já aconteceu entre vocês e até da influência que ele pode ter tido sobre a nossa história; aos poucos sua mente vai ficando mais clara, calma, e você vai conseguir ouvir aquela voz interna que te guia; aí você vai começar a entender que o que fez comigo não foi justo conosco. Não sei se você vai sentir falta, lembrar de como eu te via e te incentivava a ser sua melhor versão, o tamanho do amor e do cuidado que eu te direcionava. Quando lembro desse amor, ainda me emociono um pouco, mas cada vez menos. Me emociono porque foi muito verdadeiro e intenso, e eu vejo muita beleza nisso. Me orgulho e me admiro por ter me permitido sentir tudo isso, por ter ousado ser eu mesma de forma tão intensa. 

Não demorou para você perceber o quanto eu sou sensível, mas talvez a sua interpretação de sensibilidade fosse um pouco limitada. Ser muito sensível não significa apenas se sensibilizar facilmente com as coisas. Significa, sim, estar aberta a perceber com os sentidos aquilo que vem de fora, da sensibilidade do outro. Mas também significa sentir profundamente. Foi com essa sensibilidade de sentir lá no fundo que eu enxerguei a sua alma. Eu soube te amar pela sua alma, pelo seu corpo, pela sua voz, por todo o teu ser. Não sei se você já foi visto como eu te vi, porque eu te enxerguei com os olhos da minha própria alma, não só com os olhos da matéria. Não sei se você entende a dimensão disso. Não sei se você entende a raridade de um encontro assim. Por entender tudo isso muito antes de você, eu sofri tanto com a sua decisão. 

Não sei se você vai chegar a ver as coisas como eu vejo e muito menos se vou ter a oportunidade de saber isso, mas por ora confio no que eu sinto. 

Acho que eu não consigo acreditar que fiz um mau julgamento de você, porque isso seria desacreditar da minha sensibilidade. Se foi a própria espiritualidade que me afastou de você, depois das escolhas que você fez para a sua vida, é um sinal de que ela nunca me abandonou, nunca esteve distante de mim, e permitiu o nosso encontro. Com tudo que eu já aprendi até aqui, não consigo enxergar outro propósito para o nosso encontro, senão o de ficarmos juntos e crescermos juntos.

Mesmo acreditando profundamente nisso, meu coração está sereno. Acho um pouco triste, sim, o rumo que a nossa história tomou, mas essa tristeza não mora em mim, apenas me visita rapidamente, como uma lembrança. Tenho esse coração sereno, porque maior e mais bonito que o amor que senti por você, é o meu vínculo com a espiritualidade. O meu compromisso com esse aspecto da minha vida é o meu maior norte, nesse momento. Eu ainda sou falha nessa caminhada, tenho lá minhas dúvidas e dificuldades pelo caminho, mas tenho muita devoção, amor e fé nessas energias que me guiam, porque foi com elas que encontrei sentido, propósito, foi me fiando nelas que aprendi esse ofício de tocar o coração das pessoas para o bem.

Foi esse compromisso comigo mesma, essa vontade de me reconstruir para continuar esse trabalho, que me fez te encontrar. Foi também o compromisso deles comigo que me fez te perder.

Porque quando eu digo, com fé, que lhes entrego meu destino, reafirmo à minha própria alma o compromisso com as escolhas que me fizeram ser quem sou, nascendo como nasci, naquele momento, naquela família, em torno daquelas pessoas. Meu coração fica sereno, porque quando confio que a espiritualidade te trouxe, automaticamente confio que ela te tirou de mim. 

Por maior que seja a dor de não viver um amor prometido, eu confio.

sábado, 13 de abril de 2024

Recollections

 No fundo, eu não tenho mais vontade sequer de escrever sobre essa situação. É como se o ato de escrever, falar sobre, reavivasse alguns pensamentos e sentimentos que ainda persistem por aqui. Ao mesmo tempo, a escrita é uma forma de limpeza e organização de tudo isso que ainda sinto e penso. Pra jogar o lixo fora, a gente precisa primeiro recolhê-lo. Engraçado pensar isso, porque no inglês a palavra "recollection", significa recordação, lembrança, e olhando assim de longe se parece bastante com a palavra recolher. De modo que, recolher esse "lixo" é também recordar todos esses sentimentos e pensamentos.

É tentador cair na armadilha de deixar tudo debaixo do tapete e "seguir em frente", mas já vivi o suficiente para entender que tal possibilidade não é real. Cedo ou tarde, o que foi ocultado vem à tona. Melhor tentar resolver isso agora, de verdade, e poder seguir o meu caminho em paz.

Ontem eu li uma frase que se conecta profundamente com este momento que estou vivendo. Dizia assim: "é difícil mesmo ter que recalcular a rota de um caminho que um dia você teve certeza". Eu tive certeza da nossa união, do nosso caminho, juntos. Mas agora consigo observar que havia alguns pontos que eu não estava enxergando com clareza ou que estava subestimando. A sua indisposição para ser melhor com relação a algumas características que ele mesmo falava serem nocivas. Ele percebia, eu percebia, mas nenhum dos dois fazia nada a respeito. Eu estava começando a me direcionar para o seu caminho de acomodação, de indisciplina, não por sua culpa, mas porque era fácil e tentador. Eu não estava respeitando e honrando o meu próprio aprendizado, o meu próprio desenvolvimento, quando me permitia ceder aos maus hábitos e procurar soluções imediatistas para problemas complexos e substanciais da minha vida. A espiritualidade me ensinou diferente, me guiou - e continua guiando - para uma vida mais saudável, mais amável, mais generosa, mais respeitosa, tanto comigo mesma quanto com os outros. As suas escolhas me influenciavam negativamente, porque uma parte de mim ainda estava aberta àquele tipo de energia. Mas o meu compromisso com a espiritualidade é maior do que essa brecha que abri para a negatividade, então, quem me protege e guia me tirou dessa situação. 

Hoje eu acredito que ele esteja influenciado por energias bem negativas, para ter tomado as decisões que tomou. Acredito que em algum momento, vai se dar conta disso, porque quem o guarda também é forte e poderoso. Mas ele precisa querer e precisa ter coragem pra aceitar. Quando ele escolhe estar perto de pessoas que o invejam, ele se permite ser atacado. Quando ele escolhe não se conectar com a espiritualidade e negar o chamado que já recebeu tantas vezes, ele se torna mais suscetível aos ataques. A conexão espiritual é uma via de mão dupla. Nós fazemos e eles fazem. Não adianta só um lado se comprometer, por maior que seja o amor que eles têm por nós. Se o vínculo está enfraquecido, as barreiras são muitas.

Hoje, consigo ser grata ao Arcanjo Miguel que me guarda e não permitiu que o meu caminho fosse corrompido, mesmo que a minha fraqueza e apego estivessem me direcionando para isso. No fim, tudo acontece como tem de acontecer. Se ele não tivesse sido tão imaturo e desleal comigo, eu sentiria ainda mais dificuldade de me desvencilhar da sua energia, de transmutar os sentimentos que restaram. Não sei até que ponto aqueles 15 dias de sofrimento eram realmente necessários, mas poder enxergar a sua deslealdade foi importante para que eu cessasse o sofrimento. 

Algo em mim diz que ele ainda vai me procurar. Ele vai se decepcionar com o primo e perceber que eu estava certa ou simplesmente perceber que ele tomou decisões erradas e que há espaço pra mim em seu novo caminho. Algo em mim também diz que isso só vai acontecer quando eu conseguir me limpar totalmente dessas energias, quando eu alcançar um estado de paz e cura emocional, para que qualquer decisão minha a esse respeito não seja influenciada pelo amor que cultivei. 

Não acredito que temos apenas um amor na vida, apenas uma alma destinada. Cada pessoa com quem a gente se relaciona traz consigo ensinamentos importantes para a nossa evolução. Tanto é que em cada vida sentimos esse tipo de conexão com mais de uma pessoa. Aos 31 anos, já senti pelo menos 5 vezes. Então, eu sei que vou conhecer outra pessoa que esteja mais conectada e comprometida com as mesmas coisas que eu. Não espero um espelho, nem ninguém "perfeito", mas alguém comprometido com o seu crescimento e com o crescimento do nosso vínculo. Sei que vou me conectar com alguém que verdadeiramente me admire, me ame e se veja a altura de estar ao meu lado. Não quero mais alguém que se acovarde, que se apequene diante da minha luz, e sim alguém que se inspire a brilhar tanto quanto, que esteja disposto a me ajudar e ser ajudado nesse caminho de luz.

Agora, me resta compreender que partes minhas se conectavam com aquela energia de acomodação, para conseguir melhorar e curar as feridas da minha alma. 

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Hoje é 31/03/2024, 00h53, eu não sei o que fazer

 Antes da conversa, tinha tirado tarô . Na sua energia, um 6 de paus e na minha um 9 de espadas. Assim que vi isso, comecei a chorar, porque eu não merecia estar naquela energia, eu não merecia estar sofrendo daquela forma, não merecia aquela angústia, aquela ansiedade.

Depois da conversa, chorei muito, até quase vomitar. Passei o resto do fim de semana chorando e com dor de cabeça. Não conseguia entender o porquê daquele rompimento, porque achava que nós dois, juntos, tínhamos força para encarar os problemas de frente. Essa semana foi muito difícil. Acho que minha psicóloga nunca me viu daquela forma.

Aos poucos, fui enxergando as coisas de outra forma. A força que eu enxergava para superar os problemas não estava em nós dois, estava em mim. Desde o primeiro momento, tive muita consciência de que eu não merecia ser tratada como fui tratada. Como alguém diz que me ama num dia e no outro já não me quer mais na sua vida? Eu sei que sou intensa, sei que ultrapassei alguns limites - agora consigo enxergar. Mas você não teve respeito e consideração suficientes para conversar sobre isso e nos dar a chance de melhorar juntos; você preferiu me cortar, fazer um movimento unilateral. Foi bem aí que me senti traída. A contradição entre algumas atitudes e falas já existia e me causava muita ansiedade, insegurança e angústia. Os seus silêncios a cada vez que se desagradava com algo ou a cada vez que eu tentava conversar, me deixavam apreensiva e evidenciavam esse muro que você vinha construindo entre a gente. Mas no momento em que você escolheu se afastar, eu me senti enganada, porque apesar de o tarô ter me avisado, eu não acreditava que você fosse agir assim. Não depois de dizer, mais de uma vez, que me amava; não depois de saber o quanto fui enganada; não depois daquelas noites juntos; aquela noite do primeiro "eu te amo" seu; naquela noite do primeiro "eu te amo" meu; naquela última, no motel, de tanto amor e cumplicidade. Mesmo com a frieza e o desinteresse, eu não esperava. Me enganei. Aliás, o que toda essa situação me fez perceber é que eu vejo e acredito em um lado seu que talvez você mesmo duvide e tenha dificuldade de aceitar, colocar pra fora. Sei que você carrega uma bagagem de responsabilidades que eu desconheço, mas por mais eu seja compreensiva com relação a isso, foi a mim que você escolheu para "pagar o pato" pelo peso que você vinha sentindo.

Fiz muitas leituras de tarô pra mim, tentando entender tudo isso. As resposta sempre focaram na necessidade de olhar pra mim mesma e reconhecer o meu valor. Hoje, eu vejo que muito precisava mudar e que essa ruptura me forçou a encarar de vez o modo como eu estava agindo comigo mesma e com você. Outro dia até li que reciprocidade não é algo que se cobra, porque é o ato de achar um equilíbrio dentro da relação. Eu estava cobrando, porque não estava recebendo. Eu estava falando em excesso, na tentativa de preencher os teus silêncios. Eu estava fazendo por mim e por você. Isso estava nos cansando. Não consigo saber o que você queria ou esperava, porque quando eu resolvia também me calar, não "cobrar", não fazer em excesso, você percebia e reclamava. Então, seguia fazendo a minha parte e a sua. 

Neste momento, ainda não consigo ter a clareza do que eu quero, porque eu te amo e, particularmente, hoje, sinto muita saudade de você inteiro. Mas sei o que não quero e o que mereço. Eu não quero ter que pedir pra ver alguém que diz que me ama; essa vontade precisa partir de e estar expressa por ambos. Não quero ser pega de surpresa com decisções unilaterais, porque os assuntos da relação precisam ser tratados pelos dois. Não quero sentir a angústia e a insegurança causadas pelo retraimento emocional e a frieza no trato. Eu, como todos nós nesta terra, tenho MUITO a curar e aprender, mas a lição sobre o meu valor, eu já aprendi. Eu não posso, nem quero, sentir que o que e quem eu sou é demais, que a minha intensidade é demais, que o meu amor e os meus gestos de carinhos são demais, seja porque quem está em volta tem medo ou se incomoda com o meu tamanho, a minha luz, a minha inteligência, o meu poder, a minha força e tudo que sou capaz de expressar. Tem que ser grande para estar ao meu lado; e eu sei que você é, mas que você sabe? Será que você acredita e sustenta a própria grandez? Talvez não agora. Mas eu não posso parar a minha vida para esperar. Eu tentei, mas a vida não deixou. Não vou insistir, não posso. Hoje é 31/03/2024, 00h53, eu não sei o que fazer, não sei nem se você pretende me procurar ainda. Uma parte de mim ainda torce por nós, ainda te deseja. Outra parte sabe que não decidir é te esperar, é te entregar o meu poder. Me permito deixar que a ferida vá se curando aos poucos, me permito não ter tanta pressa. Também não sei quanto tempo vou esperar. Talvez, quando você voltar, a parte que ainda te deseja já tenha partido. Por ora, me dói um pouco pensar assim, mas entreo o meu destino aos meus guis e mentores que em sua infinita sabedoria me direcionam para o caminho que me honra, respeita e traz felicidade plena. Eu confio na espiritualidade para saber que talvez você não esteja disposto a me entregar isso.

Imagino um pouco a nossa conversa, com partes deste texto, mas o que mais desejo é te ouvir, tentar entender o que passava e passa pela sua mente e pelo seu coração. Dizer que não retira, não é reafirmar e, embora eu não saba exatamente tudo que quero agora, eu sei que quero alguém que não tenha ressalvas para me amar e falar isso com todas as letras. Porque isso eu já sei que posso fazer por mim e não posso aceitar menos.

A véspera - antes da verdade.

 Eu sei que esse encontro teve um propósito maior. Eu sinto isso no meu coração, na minha alma. Eu sei. Mas isso não é suficiente para ficarmos juntos. Porque eu sei o que mereço e sei que preciso honrar minha própria história e minha ancestralidade para conseguir seguir o meu propósito de vida em paz, em harmonia. Eu não posso deixar que nada nem ninguém me tire do meu rumo ou me faça duvidar de mim mesma, porque para realizar o meu trabalho, eu preciso estar forte como uma grande rocha, conectada com as raízes da terra. Tudo aquilo que me enfraquece, cedo ou tarde, de um jeito ou de outro, é retirado da minha vida por aqueles que fazem esse trabalho junto comigo, me inspirando, encorajando, ensinando e nutrindo energeticamente. O que eu faço é por mim, por eles e por muitos mais além de nós. Por isso, as interferências não são aceitas, não são toleradas por muito tempo. Eu estou em acordo e sintonia com esse compromisso, procurando a cada dia ser fiel a isso. 

Não consigo entender exatamente o quê, ainda, mas eu sei que temos um propósito juntos. Meu papel, hoje, é entender e respeitar a parte que me cabe em tudo isso, sem te tomar a sua e sem me anular para que esse propósito se cumpra, porque para fazer a minha parte, eu preciso estar bem e forte. Queria que, independente de mim, você conseguisse ouvir e aceitar o seu chamado, o seu papel na vida, mas o meu querer não é suficiente pra nada. Por isso, preciso redirecionar essa energia para continuar seguindo o meu caminho. Aliás, preciso redirecionar essa energia de amor, poder e crescimento para o meu propósito individual, porque sei que assim não deixarei esta vida sem ter feito a minha parte. Ainda que eu precise voltar pra te ajudar, poderei voltar mais leve dos meus próprios pesos.

Gratidão à espiritualidade por essa compreensão. Sei que esse entendimento vai me ajudar a me libertar das expectativas e desejos que ainda carrego com relação a ele. Eu preciso e terei a força necessária para seguir minha jornada, porque é preciso. A vida não pode esperar alguém despertar, não pode esperar, parar ou atrasar sua jornada evolutiva por alguém que não quer aceitar o seu chamado. Não é justo, nem certo, nem benéfico para ninguém.

Não quero mais pensar em "caso a gente voltar", porque sinto que não há para o quê se voltar. Há, talvez, uma nova história a ser construída, longe dos vícios, da inveja, dos maus hábitos, da preguiça, da procrastinação, da frieza, da rigidez, do excesso de cobrança. Quero começar aquilo que pensamos em viver e não conseguimos.


quarta-feira, 10 de abril de 2024

Falando com Eles

 Estou vivendo um dos meses mais difíceis de toda a minha existência. Ainda que não fosse tão difícil, já seria inesquecível. Tantos acontecimentos, tantas pessoas, tantas primeiras vezes. Falando assim parece mais bom do que ruim, mas nem sempre é. Nem foi. Momentos de solidão profunda cercada de pessoas queridas. O que corre fora se mistura com o que corre dentro de um jeito único, inexplicável e inintendível. Corre, corre e corre, fica sem fôlego. Não por pressa, mas porque atrás vem mais e até pior. Difícil caminhar em meio a tanta correria. Difícil recobrar o fôlego, estar. Ao mesmo tempo, pra maioria dos outros por aqui, a vida apenas é, está sendo. Sem tanto correr. Hoje é assim pra eles, amanhã é assim pra mim. Eu entendo, só é solitário. É tão individual que não cabe mais ninguém. Meu corpo, minha mente, meus sentimentos e emoções, minha sensibilidade. Eu, eu, eu. Cansa, viu? Sei que vocês sabem e sentem esse cansaço. Não falo pra informar, mas pra lembrar o meu cansaço. Pra talvez assim me permitir repousar um pouco, porque já já tem mais outra coisa vindo. Pior ou não. Sempre tem. Tudo anda, corre, passa, e vocês permanecem me cercando. Me ancorando, me aconselhando, me gritando o que tenho dificuldade pra ouvir -ou apenas aceitar. Quando ouço, tudo se harmoniza. Até a mente, que é tanto contra, concorda, entende. Não devia desconfiar tanto, porque no fundo nunca houve motivo pra isso. Se me perguntar em quê me sustentei? Em vocês. Em quem confiei? Em vocês. Mesmo sem entender, sem acreditar em tudo, mesmo com medo, assustada e desconfiada de muito que chegava. Confiei nas mãos bondosas e generosas dessa espiritualidade que me guia e ampara, que conforta e ensina, que me leva sempre ao que eu preciso, por mais difícil que pareça para alguém. Eu confio que a espiritualidade não vai me colocar em perigo, e não coloca. Confio que cada encontro que me proporciona, tem um propósito maior. Não sou mártir, nem quero transmitir essa ideia. Não queria e não precisava, mas às vezes sou instrumento de vontades maiores que eu, que esta vida. E esse servir me fortalece, me educa, me ampara e me restaura em sua infinita luz e força.