sexta-feira, 19 de abril de 2024

O mundo - Completude

 Hoje eu recebi o restante das coisas que tinham ficado em sua casa. Não pude me entregar ao que verdadeiramente estava sentindo, porque minha mãe está aqui em casa e ela não sabe de nada do que vivemos. Uma parte de mim fica querendo se sentir culpada, ou talvez constrangida, por ter resolvido essa situação com sua irmã e não com ele. Mas não foi escolha minha. Algumas horas depois dessa entrega, eu me sinto finalmente em paz. Nem sei se estava esperando por isso, por essa sensação de paz, de uma certa completude. Minha intenção era apenas cortas esse último fio que ainda unia o meu pensamento a ele e a tudo o que vivemos. Talvez, ter a coragem de fazer esse movimento, por mim, fosse justamente o que eu precisava para ficar bem. Não tanto pelo vínculo energético, mas pelo que a intenção da atitude representa. A intenção foi de me fazer sentir bem, de romper de uma vez com qualquer expectativa que ainda restasse. É como se dissesse pra vida: eu recuso o sofrimento, a dor, as mágoas, o passado; eu quero a minha porção de felicidade, a minha porção de amor, a reciprocidade que eu mereço. É uma espécie de reconhecimento também. 

Mais cedo, reclamei da possibilidade de ter que lidar com essa questão novamente em outra vida, considerando os sinais cármicos que já observei nesse encontro. Agora, percebo que talvez eu não esteja carregando nenhum tipo de pendência para outra vida. Eu me entreguei, acreditei, confiei, fui traída, aceitei e superei. Eu encerrei o ciclo, eu aprendi minhas lições, eu não estou deixando nada pendente com ele.

Ainda tenho a sensação de que nossa história não acaba aqui, porque sei que o que ele me fez vai ser pago de alguma maneira, mas também porque acredito na sua evolução. É estranho, isso. Essa fé que eu tenho na luz dele, apesar de toda a sombra que já conheci. Essa parte eu entrego pra espiritualidade, não faço questão de entender muito bem. No fundo, não me importa mais e também não faz diferença alguma. Aliás, nada relacionado a ele faz diferença, porque seguimos caminhos totalmente distintos. Existe algo que ainda nos puxa um para o outro - ou que me puxava pra você - mas é como se essa força se enfraquecesse no momento em que tudo ficou claro para mim. Quando me fortaleço, a minha força vence qualquer energia que tenta me puxar para longe do meu próprio caminho.

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