quarta-feira, 10 de abril de 2024

Falando com Eles

 Estou vivendo um dos meses mais difíceis de toda a minha existência. Ainda que não fosse tão difícil, já seria inesquecível. Tantos acontecimentos, tantas pessoas, tantas primeiras vezes. Falando assim parece mais bom do que ruim, mas nem sempre é. Nem foi. Momentos de solidão profunda cercada de pessoas queridas. O que corre fora se mistura com o que corre dentro de um jeito único, inexplicável e inintendível. Corre, corre e corre, fica sem fôlego. Não por pressa, mas porque atrás vem mais e até pior. Difícil caminhar em meio a tanta correria. Difícil recobrar o fôlego, estar. Ao mesmo tempo, pra maioria dos outros por aqui, a vida apenas é, está sendo. Sem tanto correr. Hoje é assim pra eles, amanhã é assim pra mim. Eu entendo, só é solitário. É tão individual que não cabe mais ninguém. Meu corpo, minha mente, meus sentimentos e emoções, minha sensibilidade. Eu, eu, eu. Cansa, viu? Sei que vocês sabem e sentem esse cansaço. Não falo pra informar, mas pra lembrar o meu cansaço. Pra talvez assim me permitir repousar um pouco, porque já já tem mais outra coisa vindo. Pior ou não. Sempre tem. Tudo anda, corre, passa, e vocês permanecem me cercando. Me ancorando, me aconselhando, me gritando o que tenho dificuldade pra ouvir -ou apenas aceitar. Quando ouço, tudo se harmoniza. Até a mente, que é tanto contra, concorda, entende. Não devia desconfiar tanto, porque no fundo nunca houve motivo pra isso. Se me perguntar em quê me sustentei? Em vocês. Em quem confiei? Em vocês. Mesmo sem entender, sem acreditar em tudo, mesmo com medo, assustada e desconfiada de muito que chegava. Confiei nas mãos bondosas e generosas dessa espiritualidade que me guia e ampara, que conforta e ensina, que me leva sempre ao que eu preciso, por mais difícil que pareça para alguém. Eu confio que a espiritualidade não vai me colocar em perigo, e não coloca. Confio que cada encontro que me proporciona, tem um propósito maior. Não sou mártir, nem quero transmitir essa ideia. Não queria e não precisava, mas às vezes sou instrumento de vontades maiores que eu, que esta vida. E esse servir me fortalece, me educa, me ampara e me restaura em sua infinita luz e força.

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