quinta-feira, 11 de abril de 2024

Hoje é 31/03/2024, 00h53, eu não sei o que fazer

 Antes da conversa, tinha tirado tarô . Na sua energia, um 6 de paus e na minha um 9 de espadas. Assim que vi isso, comecei a chorar, porque eu não merecia estar naquela energia, eu não merecia estar sofrendo daquela forma, não merecia aquela angústia, aquela ansiedade.

Depois da conversa, chorei muito, até quase vomitar. Passei o resto do fim de semana chorando e com dor de cabeça. Não conseguia entender o porquê daquele rompimento, porque achava que nós dois, juntos, tínhamos força para encarar os problemas de frente. Essa semana foi muito difícil. Acho que minha psicóloga nunca me viu daquela forma.

Aos poucos, fui enxergando as coisas de outra forma. A força que eu enxergava para superar os problemas não estava em nós dois, estava em mim. Desde o primeiro momento, tive muita consciência de que eu não merecia ser tratada como fui tratada. Como alguém diz que me ama num dia e no outro já não me quer mais na sua vida? Eu sei que sou intensa, sei que ultrapassei alguns limites - agora consigo enxergar. Mas você não teve respeito e consideração suficientes para conversar sobre isso e nos dar a chance de melhorar juntos; você preferiu me cortar, fazer um movimento unilateral. Foi bem aí que me senti traída. A contradição entre algumas atitudes e falas já existia e me causava muita ansiedade, insegurança e angústia. Os seus silêncios a cada vez que se desagradava com algo ou a cada vez que eu tentava conversar, me deixavam apreensiva e evidenciavam esse muro que você vinha construindo entre a gente. Mas no momento em que você escolheu se afastar, eu me senti enganada, porque apesar de o tarô ter me avisado, eu não acreditava que você fosse agir assim. Não depois de dizer, mais de uma vez, que me amava; não depois de saber o quanto fui enganada; não depois daquelas noites juntos; aquela noite do primeiro "eu te amo" seu; naquela noite do primeiro "eu te amo" meu; naquela última, no motel, de tanto amor e cumplicidade. Mesmo com a frieza e o desinteresse, eu não esperava. Me enganei. Aliás, o que toda essa situação me fez perceber é que eu vejo e acredito em um lado seu que talvez você mesmo duvide e tenha dificuldade de aceitar, colocar pra fora. Sei que você carrega uma bagagem de responsabilidades que eu desconheço, mas por mais eu seja compreensiva com relação a isso, foi a mim que você escolheu para "pagar o pato" pelo peso que você vinha sentindo.

Fiz muitas leituras de tarô pra mim, tentando entender tudo isso. As resposta sempre focaram na necessidade de olhar pra mim mesma e reconhecer o meu valor. Hoje, eu vejo que muito precisava mudar e que essa ruptura me forçou a encarar de vez o modo como eu estava agindo comigo mesma e com você. Outro dia até li que reciprocidade não é algo que se cobra, porque é o ato de achar um equilíbrio dentro da relação. Eu estava cobrando, porque não estava recebendo. Eu estava falando em excesso, na tentativa de preencher os teus silêncios. Eu estava fazendo por mim e por você. Isso estava nos cansando. Não consigo saber o que você queria ou esperava, porque quando eu resolvia também me calar, não "cobrar", não fazer em excesso, você percebia e reclamava. Então, seguia fazendo a minha parte e a sua. 

Neste momento, ainda não consigo ter a clareza do que eu quero, porque eu te amo e, particularmente, hoje, sinto muita saudade de você inteiro. Mas sei o que não quero e o que mereço. Eu não quero ter que pedir pra ver alguém que diz que me ama; essa vontade precisa partir de e estar expressa por ambos. Não quero ser pega de surpresa com decisções unilaterais, porque os assuntos da relação precisam ser tratados pelos dois. Não quero sentir a angústia e a insegurança causadas pelo retraimento emocional e a frieza no trato. Eu, como todos nós nesta terra, tenho MUITO a curar e aprender, mas a lição sobre o meu valor, eu já aprendi. Eu não posso, nem quero, sentir que o que e quem eu sou é demais, que a minha intensidade é demais, que o meu amor e os meus gestos de carinhos são demais, seja porque quem está em volta tem medo ou se incomoda com o meu tamanho, a minha luz, a minha inteligência, o meu poder, a minha força e tudo que sou capaz de expressar. Tem que ser grande para estar ao meu lado; e eu sei que você é, mas que você sabe? Será que você acredita e sustenta a própria grandez? Talvez não agora. Mas eu não posso parar a minha vida para esperar. Eu tentei, mas a vida não deixou. Não vou insistir, não posso. Hoje é 31/03/2024, 00h53, eu não sei o que fazer, não sei nem se você pretende me procurar ainda. Uma parte de mim ainda torce por nós, ainda te deseja. Outra parte sabe que não decidir é te esperar, é te entregar o meu poder. Me permito deixar que a ferida vá se curando aos poucos, me permito não ter tanta pressa. Também não sei quanto tempo vou esperar. Talvez, quando você voltar, a parte que ainda te deseja já tenha partido. Por ora, me dói um pouco pensar assim, mas entreo o meu destino aos meus guis e mentores que em sua infinita sabedoria me direcionam para o caminho que me honra, respeita e traz felicidade plena. Eu confio na espiritualidade para saber que talvez você não esteja disposto a me entregar isso.

Imagino um pouco a nossa conversa, com partes deste texto, mas o que mais desejo é te ouvir, tentar entender o que passava e passa pela sua mente e pelo seu coração. Dizer que não retira, não é reafirmar e, embora eu não saba exatamente tudo que quero agora, eu sei que quero alguém que não tenha ressalvas para me amar e falar isso com todas as letras. Porque isso eu já sei que posso fazer por mim e não posso aceitar menos.

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