domingo, 12 de maio de 2024

Seria Frida Kahlo.

 Hoje pensei muito em você. Aliás, nos últimos dias venho pensando muito em você. Mas, graças a experiências anteriores, eu já sei que posso disciplinar o meu pensamento e não deixar que as memórias e curiosidades que tenho a respeito de você dominem a minha mente. Escrever sobre você é uma forma de descarregar essa energia que permanece aqui. Não sei direito até que ponto é uma energia que ainda está ou é uma energia que retorna. Sei que a nossa ligação foi muito forte e uma parte de mim acredita que isso pode nos manter ligados de uma maneira que não é muito legal e nem intencional.

Independente do motivo, estou decidida a me esforçar mais para me limpar de toda energia relacionada a você e poder assim enfraquecer ao máximo a nossa conexão. 

Você decidiu sair da minha vida de forma abrupta e não tem nada que eu possa fazer sobre isso, além de aceitar e seguir em frente com a minha vida, focada na minha jornada. Hoje, entendo um pouco melhor o que pode ter motivado essa ruptura, mas ainda é difícil superar completamente. Eu sei que tenho o conhecimento e os recursos para cortar esse laço energético e me proteger de forma mais efetiva, então, por que não o faço? É difícil admitir para mim mesma que eu contribuo para que essa conexão se mantenha, mesmo sabendo que não faz bem a nenhum de nós dois.

Este é um daqueles momentos em que a gente encara a sombra de frente, se envergonha, resiste em aceitar, mas precisa ser honesto consigo e admitir que, sim, existe uma parte de mim que contribui para que essa situação se arraste.

Acho que tenho medo de me mover em outra direção, porque conheço a minha capacidade de superação. Sei que, se eu me esforçar o suficiente, não vou sentir mais nada. Mas eu quero sentir algo. Eu quero manter esse vínculo. Como é doloroso admitir isso. É como enxergar que é a minha própria mão que segura o punhal que atravessa o meu peito. Se fosse uma obra de arte, seria certamente de Frida Kahlo.

***

É interessante pensar como a tomada de consciência funciona. Às vezes, primeiro se entende racionalmente, depois se assume uma postura. Em outras, a postura muda primeiro e a partir dela vem a percepção racional da mudança.

Eu primeiro decidi fazer os rituais e só depois admiti conscientemente a necessidade deles. Os rituais são necessários, porque eu não consigo saber o que está vindo em minha direção, nem de onde está vido. Mas não é só isso. Os rituais se fazem necessários para que eu, da minha parte, encerre essa situação de uma vez por todas. Sem pensar num futuro possível.

Essa necessidade de ritualizar me lembra o 8 de copas. É preciso abandonar, sem a esperança de retorno. Qualquer dissimulação do abandono, aqui, é em vão, porque ao fingir que se abandona, já não há abandono. Me forçar a encerrar esse vínculo pela expectativa de revivê-lo no futuro é, no fim das contas, não encerrar. Quando há esperança, não existe fim, corte, encerramento. Existe, no máximo, um até logo. Mas aí é que está: uma parte de mim quer que seja um até logo. Por quê? Não sei, não consigo saber e já estou cansada de procurar respostas sobre essa pergunta. Me resignei a aceitar que simplesmente não posso saber. Talvez algum dia venha a saber, talvez não. O fato é que não posso contar com isso, porque é mais um grãozinho de esperança que se acumula dentro de mim.

Sou grata pelas respostas que a espiritualidade já me deu e quero acreditar que são suficientes, mesmo que, por enquanto, seja tão difícil ver a situação dessa maneira.

Ao mesmo tempo que confio e acredito que da maneira como a espiritualidade me guia, o meu caminho é melhor, mais sadio e frutífero, tem uma partezinha de mim que queria diferente. Mais uma vez, o olhar para a sombra é doloroso demais. Por que ainda desejo para mim algo que não me faz bem?

Tenho que me acostumar a viver sem os vícios da matéria. Me tratar bem, com respeito ao meu corpo e a minha energia precisa ser um hábito, precisa ser tão comum, que a simples menção a algo contrário me cause incômodo. 

O meu espírito sabia que eu tinha força suficiente para encarar os vícios de pensamento, comportamento e sentimento. Agora eu vou honrar o meu espírito e mostrar para mim mesma que eu reconheço o meu poder de me transformar, a minha força de vontade, a minha perseverança. E sei que a minha espiritualidade me auxilia nessa empreitada.

Está feito, está feito, está feito!

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