Eu sempre soube que vir para Bordeaux só me traria coisas boas, mas eu não pensei que fosse ver tanto homem bonito por metro quadrado e por dia, como vejo aqui. No meu trabalho, eles brotam. No tram, na rua, no meu prédio, enfim, por todos os lados. Claro que a maioria é mais pra olhar do que qualquer outra coisa, mas nem na cidade anterior, nem no Brasil eu tinha essa vista privilegiada e tão frequentemente.
Dia desses, os trabalhadores do transporte público estavam em greve, bem quando eu tinha resolvido sair correndo do trabalho pra viajar pra Paris. Peguei o tram toda preocupada, mas sem deixar de lado meu olhar escorpiano que capta uma pessoa interessante no radar. Estava quase que de frente para mim, um homem alto, forte, negro, com sorriso e olhos que não se encontra todo dia por aí. Nos olhamos muito discretamente durante o fim do trajeto, tanto que eu mal percebi que ele realmente me olhava com interesse. Ao sair do tram, ele me chama “mademoiselle, mademoiselle! Moi c‘est Pierre, et vous?“ (senhorita, senhorita! Sou Pierre, e você?). Eu estava tão atrasada e desorientada com a investida que o coitado teve que repetir a frase 3 vezes para que eu entendesse que era pra eu me apresentar de volta. Finalmente, disse meu nome, mas a história acabou aí, porque tive que correr pra pegar o onibus e não perder o avião. No final das contas, perdi o ônibus (mas não o voo, ufa!) e perdi o cara. Poderia ter pego ao menos o telefone. Por que nessas horas eu nunca consigo raciocinar direito? Argh!
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Nas minhas investidas virtuais, usando aplicativos como o tinder, acabei conversando com mais ou menos 4 caras bem interessantes. O primeiro, inglês, acabou se mostrando uma cilada (corre, bino!) e nem nos encontramos. O segundo, um sociólogo que estuda a bissexualidade feminina, é uma companhia muito agradável, gosta de conversar, mas não manda lá muito bem no oral, o que me decepcionou um pouco, considerando o tema das pesquisas dele, mas ainda estamos no lucro, quando comparo com os outros franceses com os quais me relacionei aqui. O terceiro é um artista super malucão (eu tenho um chama pra doido que não tá escrito), muito gentil e cuidadoso, disse que me apresentaria aos seus amigos, para que eu conhecesse mais franceses e melhorasse a minha fala, me ofereceu um jantar e ainda me deu um remédio caseiro pra minha dor de cabeça; não ficamos, mas segunda eu retribuirei o jantar e amanhã tem uma festinha na casa dele, ou seja, pode ser que dê uma vontadezinha. O quarto, um pequeno empreendedor do ramo dos vinhos, veio falar comigo porque gostamos do mesmo escritor catalão, Carlos Ruiz Zafon, o que é bem raro por aqui; por enquanto, estou confiando apenas no bom gosto literário dele.
Tem sido uma boa forma de conhecer pessoas, embora haja uma quantidade absurda de gente babaca que vem falar comigo, mas acho que está valendo a pena. Devo voltar com novidades sobre isso, mais tarde.
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Para completar, emagreci 5Kg porque desenvolvi intolerância a lactose e ao que parece todas as comidas desse país levam leite, queijo, creme de leite ou quantidades absurdas de manteiga, quando não, tudo isso junto. A dor de barriga é tão cabulosa que na maioria das vezes eu não me atrevo a arriscar, o que é uma pena pra quem AMA comer, como eu. Ao menos tenho emagrecido (ainda que forçada) e isso é ótimo, ainda mais considerando todos os quilos a mais que ganhei depois da fase depressiva e as toneladas de chocolate belga.
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