terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Qu‘est-ce que se passe?

Quando eu escrevo aqui, podem ter certeza de que a ansiedade está alcançando altíssimos níveis no coeur dessa escorpiana com ascendente em aquário que vos fala.

São 3h08, estou esboçando minha grade curricular (o período de matrículas para o semestre seguinte nem começou ainda e não tem como eu ver quais disciplinas estarão disponíveis), isso depois de já ter lido um excelente texto de Eliane Brum sobre a esperança (ou a falta dela) e a situação política do nosso país (recomendo fortemente, aqui), procurado no google imagens sugestões de decoração para uma sala pequena e como arrumar quadros na parede, assistido a três vídeos na úteis no youtube, e principalmente conjecturado MUITO sobre o meu futuro e o que estou fazendo da minha vida.
Imagino que para alguém com vinte e poucos anos e na reta final da faculdade, aquele trechinho da música de White Stripes venha bem a calhar. I really don‘t know what to do with myself. Eu sei que para alguém que ama planejar e ter tudo sob controle pareça um pouco estranho lançar essa frase, mas eu explico - por partes, para ficar mais organizado.

Profissionalmente
Estar no final da faculdade é parecido com estar no final do ensino médio. Você tem que decidir o que vai fazer com a sua vida, considerando escolhas anteriores, os seus limites, as suas expectativas para uma vida independente, etc. com o agravante de que você já está terminando a sua formação e precisa lidar com as consequências de todas as atitudes tomadas nos últimos 5 (ou seis) anos. Por exemplo, sair da faculdade sem nenhum artigo publicado (se tudo der errado, vai ser mais difícil de entrar num bom programa de pós) ou ter feito um intercâmbio na França, que pode dar uma forcinha ao currículo.
A economia no nosso país e no mundo não está ajudando ninguém a conseguir emprego, muito pelo contrário, a média de demissões chega a 10 mil por dia. Os concursos estão parados. A empresa estatal de petróleo, na qual eu pretendo ingressar quelque jour, está afundando nos escândalos de corrupção de fazer vergonha a qualquer um. Eu não quero ser pessimista sobre o meu futuro, ainda mais considerando todos os privilégios que tive, mas certas informações deixam o serumano meio assustado, sobretudo, quando este serumano nunca procurou emprego de verdade e muito menos como engenheiro.

Família
Minha mãe pode estar com câncer de pele, mas não dá para saber ainda, porque ela não tem pressa alguma para ir ao médico. Ela também pode estar com alzheimer, mas também não dá pra saber pelo mesmo motivo. Meu pai, continua aquela bomba de estresse, altamente inflamável, que pode ser detonada ao mínimo suspiro. Isso tudo agrava a minha ansiedade e, como recomendado pela minha psicóloga, não é um assunto no qual eu vá me aprofundar por dois motivos principais: não posso mudar e não deverei ter muito contato no futuro.
A relação com a minha irmã continua “daquele jeito“ (ler com a voz de Valesca Popozuda), cheia de altos e baixos, mas com bastante cumplicidade e cada vez mais respeito.

Valores pessoais
Ao mesmo tempo que sinto a necessidade de me engajar mais para lutar pelo que acredito, também sinto um cansaço inexplicável que me derruba, me desanima completamente e me afasta de tudo isso. É como se um elefante bem rechonchudo sentasse em cima de mim e começasse a ler Crime e Castigo no ritmo de uma criança recém alfabetizada. Isso na verdade me lembra que a astrologia fala muito sobre a minha teimosia, a tendência a permanecer e insistir em determinadas situações. Este elefante talvez seja eu mesma, mas ainda não consigo me erguer.
Conseguir. Este é um verbo muito difícil para mim desde meados de 2014, sem dúvida, foi um ano de desafios internos muito complexos e em alguns dos quais sinto que falhei, por enquanto. Os rastros dessas falhas me fazem sentir um pouco frágil ainda, desconfiada e insegura. Sei que a superação requer tempo e muito trabalho, estou contando com isso, mas também sinto uma imensa saudade de mim, uma vontade triste de me sentir eu mesma de novo, de me encontrar e me reconhecer. Sinto que estou mais próxima de encontrar o caminho, mas que a parte mais trabalhosa desta caminhada ainda está por vir.

L‘amour et d‘autres sentiments
Há um certo tempo não me apaixono por ninguém e, ao mesmo tempo que faz falta pela sensação de vivacidade que só o amor traz, já não me angustia, não me desespera mais. Penso em algumas pessoas e a insegurança me traz as piores lembranças, me deixa nervosa e ansiosa. Rapidamente procuro pensar em outra coisa. Me faz mal, mas acredito que não vou me tornar refém de sentimentos e pensamentos ruins, tampouco continuarei a cultivá-los por muito tempo.
Eu sinto muita saudade de Natal e de tudo que aquela cidade representa para mim. Ultimamente, passei a sentir saudades da França também, algo que não esperava que fosse me ocorrer tão cedo. É impossível ter saudade e não lembrar imediatamente da parte desagradável da minha experiência, acho que minhas lembranças sobre o intercâmbio estarão para sempre contaminadas de tristeza. Digo contaminadas, porque já agora, o que emerge primeiro e insiste em prevalecer são as boas lembranças das pessoas e momentos bons.

Corpo e mente
Estou fazendo acompanhamento nutricional, cadjimia e psicoterapia. É evidente que eu preciso me curar e acho que nada melhor para conseguir isso do que mudar meu estilo de vida para melhor. Eu continuo detestando a maioria dos tipos de exercício físico, fico contando os segundos para terminar cada exercício. Espero que a tal da endorfina comece a ser liberada em doses mais substanciais no meu organismo, em brebve. Ainda não sei que exercício vou fazer a partir de fevereiro, quando me mudar de volta para Natal. No caso da dieta, este problema está parcialmente resolvido, porque já tenho um encaminhamento marcado para a última semana de janeiro, a fim de criar um novo plano alimentar, adequado à realidade de uma universitária em fim de curso. Por enquanto tem sido bem difícil seguir as duas coisas. Por incrível que pareça, eu tenho me dedicado mais à prática de exercícios, porque tenho mais “apoio“, meu pai pressiona mais por isso, porque é ele quem paga e me leva para academia, todas as manhãs, quando ele sai para trabalhar (7h da matina não é de dels, gentê). A dieta começou oficialmente há 5 dias, mas extra-oficialmente mal saiu do papel, não há muito apoio, existem várias tentações às quais não estou conseguindo resistir. Ainda não entrei de cabeça na coisa, sabe? Enfim, oremos!

Autonomia
Eu sempre tive uma tendência para me tornar uma pessoa independente, mas nem sempre me esforcei para garantir graus mais altos de autonomia. Finalmente, depois de 5 anos de promessa, estou fazendo autoescola (insira um som de palmas aqui). Que coisa chata! Me falaram que seria insuportavelmente chato, mas eu não pensei que fosse tanto. Também tenho sérias divergências com o instrutor no que tange à ética, mas estou na minha, para não gerar conflitos, afinal, a cidade é pequena e eu tenho mais o que fazer do que bater boca com gente que vai acrescentar varios nada na minha vida. Pronto, no quesito mobilidade, eu nunca estive tão encaminhada. Já no quesito finanças, eu ainda tenho alguns coletores para vender e estou pensando seriamente em me desenvolver um pouco mais nesse setor, pra dar uma reforçada no orçamento, ao menos enquanto não começo a estagiar. Sim, eu pretendo iniciar um estágio no período matutino assim que possível. Só espero que não seja um daqueles escragios (estágio+escravo) e que eu consiga passar nas matérias que pretendo cursar semestre que vem.
A principal conquista da última semana é que já arrumei um lugar pra morar em Natal, bem localizado, num prédio melhor do que o anterior, dividindo apartamento com apenas uma pessoa e tendo meu próprio banheiro, tudo isso por um preço bem digno e até difícil de encontrar nesses tempos de crise.

Consumismo
Administrando (mal) meu próprio dinheiro, percebi que eu não sou nada boa nisso. Eu gasto demais, pronto, assumi. Eu gosto de comprar, sabe? Isso é um problema grave por vários motivos, pessoais e sociais, até mesmo ambientais. Por conta disso, eu não pretendo comprar roupas e materiais de papelaria no mínimo nos próximos 6 e no máximo nos próximos 12. Vou apenas mandar fazer algumas, porque os tecidos já estão encostados há cerca de 2 anos. Não vai ser fácil, mas eu terei mais dinheiro para: me alimentar melhor, sair mais, pegar mais taxis, presentear mais as pessoas e principalmente VIAJAR.

Viagens
Uma das poucas amizades que fiz na França foi com uma menina super fofa, linda, inteligente e politizada que virá morar em Porto Alegre (sim, no RS) de março a agosto de 2016. Claro que eu estou louca para encontrá-la e a outros amigos brasileiros que fiz no intercâmbio, mas as passagens são absurdas (mais de mil dinheiros de natal pra poa na época mais barata que nem abarca as datas que eu posso). Estou me planejando para que possamos ao menos nos encontrarmos em outra cidade,  no sudeste ou mesmo no nordeste, mas é preciso economizar. Segue a lista das viagens que eu gostaria de fazer e que acho remotamente realizáveis:
Recife e Olinda (carnaval ou não);
Litoral do nordeste de carro com mais 4 amigos (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe);
Salvador;
Rio de Janeiro.


Vou terminar a postagem outra hora, por enquanto, fica esse registro.

Um comentário:

  1. eike tá cheio de postagem e eu não tinha visto, amey esse resumo!

    tudo indica que seu ano de 2016 você vai fazer muitas coisas que não darão resultado imediato. dieta, análise, estudar e terminar a graduação, não comprar muita coisa, enfim, tudo isso faz com que a gente abdique de satisfações imediatas, em nome de satisfações não imediatas mas que JURO, elas vêm e são lindas. até me inspirei lendo isso aqui para postar coisas que ando pensando a esse respeito também.

    beijos!

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