domingo, 17 de janeiro de 2016

Mobilidade e dependência

Finalmente comecei as aulas práticas na autoescola. Não perguntei aos instrutores e sinceramente não sei se eles responderiam com sinceridade, mas creio que estou indo bastante bem. Amanhã farei a minha sétima aula, de modo que ainda restarão 18 para que eu possa me submeter ao exame prático. Na semana passada, fui para a rua pela primeira vez, antes disso os treinos aconteciam numa das fronteiras entre a zona urbana e a zona rural da cidade. Já treinei, com sucesso, marcha ré, utilizar as marchas até a terceira, fazer curvas fechadas e abertas, manobrar para fazer retorno, meia embreagem num aclive, passar em poças sem molhar os pedestres, não estragar a parte de baixo do carro, desviar de buracos, cavalos, pássaros, vacas, crianças, pedestres  e pessoas sem noção.
Primeiramente, descobri que gosto de dirigir. Sei que em algum momento começarei a achar a atividade um pouco chata e estressante, principalmente, quando começar a dirigir em cidades maiores ou com um comportamento no trânsito pior do que o das pessoas daqui. Mas um sentimento que acho que jamais conseguirei abandonar é o de que saber dirigir me confere mais liberdade e independência. Eu realmente acredito que esta pode ser, inclusive, uma questão de segurança, sobretudo para mulheres. Mesmo sem ter um veículo, saber dirigir pode nos salvar de situações perigosas, além de ajudar no dia a dia, a conseguir um emprego, por exemplo.
O próximo passo seria ter um carro. Eu não acho que ter um carro seja algo necessário para todas as pessoas em todos os lugares. Em Bordeaux, por exemplo, o sistema de transporte público conta com uma linha vasta de ônibus, um tram-way extremamente eficiente, bicicletas públicas (naquele sistema que aquele banco implementou em algumas cidades brasileiras) e até carros elétricos que funcionam a partir do mesmo método das bicicletas. Numa cidade assim, quando você realmente precisa de um carro, é possível alugar por um preço praticável ou usar um carro elétrico (a depender do trajeto). Para todas as outras necessidades, o transporte público e a enorme quantidade de ciclovias e ruas exclusivas para pedestres e bicicletas, são suficientes.
Contudo, em Natal a realidade não poderia ser mais oposta. O transporte público é exclusivamente rodoviário, a cidade conta com pouquíssimas ciclovias (sinceramente, pedalar quilômetros sob um sol escaldante, que estala no céu em quase todos os dias do ano não é nada agradável) e mal existe espaço (e respeito) para os pedestres na maioria das ruas. Eu sinto muita falta de ter um carro lá e acho que, sabendo dirigir, me sentirei ainda mais frustrada por não ter um (e nem perspectiva de adquirir). Por outro lado, sei que a crise e a seca dificultam a situação financeira dos meus pais (900 reais de água por mês não é pouca coisa), ter uma despesa tão grande como a de um carro para uma pessoa da minha idade e com a minha experiência pode ser mais um problema do que uma solução. Por enquanto, vou sonhando com o dia em que terei mais independência, em todos os sentidos.

Um comentário:

  1. nossa, quantas aulas se fazem hoje em dia! eu creio que fiz 10 aulas práticas e fui pra prova, o que era certamente insuficiente!

    mas você está certíssima em fazer, porque sempre surge uma chance ou mesmo uma necessidade. militando, como você sabe, é comum a gente ser colocado em situações diversas que testam nossas habilidades, pode ser que você dirija mais do que pensa!

    semana passada tive uma briga no trânsito justamente por ser mulher. mas no geral me sinto muito segura podendo ter esse recurso para ir e voltar dos lugares, me empodera e faz sentir que tenho alternativa, em todo tipo de situação. mas voltando à briga, nesse dia utilizei outro recurso que porto comigo na bolsa há cerca de 2 anos e usei pela primeira vez: meu próprio spray de pimenta!

    de verdade, você sendo menina e sendo portanto exposta a situações que não deveriam ser de risco mas acabam sendo, vai se beneficiar muito de um. paguei R$35 há 2 anos atrás, tem cerca de 10 sprayzadas dentro e por enquanto só precisei usar uma!

    beijos

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