Pensei também na imagem que passei pra cada um desses rapazes e nas expectativas que criei sobre eles. Confesso que essa parte não me deixa lá tão satisfeita, mas as resoluções que tive contribuíram para o meu amadurecimento. Lembro de como xinguei alguns de filhos da puta, babacas, imaturos, superficiais, idiotas, lerdos e loucos, pelo simples fato de me desapontarem, de não atenderem às expectativas que eu criei e sobre as quais eles não tinham o menor domínio. Lembro de como foi confortável culpá-los pelos meus erros. No fundo, nem considero erros de verdade. Foi mais uma incompatibilidade, um desencontro. Não gosto de pensar que me permitir ter certas esperanças é algum erro, porque, para mim, o erro pressupõe aprendizado, possibilidade de melhoria, amadurecimento. Não acredito que amadurecer seja limitar minha imaginação ou os anseios do meu coração, que crescer seja secar, murchar, me podar tão bruscamente. Sim, bruscamente, pois ainda que dure semanas ou meses, é uma ruptura sem tamanho para a vida de uma pessoa. E, embora acredite no amor mais do que em qualquer outro sentimento, não acredito que uma decepção seja capaz de destruir a crença de que as relações humanas podem ir além do que algumas pessoas teimam e nos fazer crer. Nem uma frustração, nem um milhão delas devem ser capazes disso.
Que dure o tempo de um beijo, de um abraço, de um toque, mas que venha repleto de significado, que não entenda a simplicidade do gesto como pobreza de conteúdo ou importância. Muito pelo contrário! Que permita que esse pouquinho de aproximação física carregue consigo todos os desejos, todas as possibilidades e, quiçá, as impossibilidades também, porque eu acho que pros sentidos não deve haver limite.
Que venham mais expectativas e mais desilusões. Que eu possa me fortalecer com cada uma delas para nunca, jamais, amargar.
Lembra daquele nosso papo de termos um ideal platônico sobre o amor? Nós amamos mais as expectativas que criamos, as ilusões e fantasias de nossas cabeças do que o que as pessoas e as relações de fato são. Talvez seja por isso que nos decepcionamos tão facilmente. E as pessoas realmente não podem ser culpadas por não atenderem as nossas expectativas!!!
ResponderExcluirSabe, é como aquela música do Raulzito, que ele diz que perdeu o medo da chuva vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar. Eu não quero ser infeliz, não quero me frustrar. A idéia de amar e ser amado é tremenda! Mas amar uma só vez na vida é uma mentira! Há tantos amores e tantas possibilidades no mundo que eu estaria traindo a mim mesma se jurasse amar apenas uma!
E que venham os amores! E as pegações, e frustrações e dores de cotovelo, as descobertas e a maravilha que é descobrir o mundo!
Medo da Chuva
Raul Seixas
É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver
Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar
Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou
Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez...
Uma vez
Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar