Fim de ano caba sendo sempre uma época meio triste para mim, mas não pelos motivos que deixam a maioria das pessoas meio piradas. Desde os meus 8 anos, o fim do ano representa luto, saudade, a lembrança da morte. Em 28 de dezembro de 2002, morreu vovó Isabel, mãe da minha mãe, apenas três dias antes de completar 88 anos de idade. Em 30 de dezembro de 2010, morreu meio tio mais velho, irmão da minha mãe. Hoje, 30 de dezembro de 2013, morreu João Pedro, ou Coelho, como era mais conhecido. Um jovem de apenas 23 anos foi mais um alvo da polícia carioca, a polícia de Cabral, uma polícia que no país inteiro é ensinada a matar até mesmo seus próprios companheiros de serviço, durante o treinamento.
Perdas são sempre difíceis, mas é incrível como a morte de um jovem bonito, inteligente e com uma vida inteira pela frente, impacta bem mais. Um jovem que não tem envolvimento com drogas ou com criminalidade, que não fazia mal a uma mosca, que vivia num bairro nobre do Rio de Janeiro, que estudava na PUC, que fugia totalmente às vítimas "padrão" da PM, aos Amarildos da vida. Um ponto fora da curva, que não se encaixa nas tentativas de justificativas que a polícia costuma dar. Uma história muito mal contada que talvez ainda renda muito, que talvez não renda nada. Mas, com certeza, um acontecimento que multiplicou o meu ódio, a minha repulsa, a minha indignação com "as forças" do estado.
O que fica, hoje, é o nó na garganta e a vontade de que este ano acabe sem mais nenhuma desgraça.
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