Ao longo desses 21 anos de vida e eu tive poucos e curtos relacionamentos amorosos, mas pude tirar boas lições deles. Os relacionamentos heterossexuais que construí - falo dos hetero porque não tenho propriedade para falar de relacionamentos homo e não tenho a intenção de tentar me apropriar - são marcados por um embate constante entre eu e o meu par. Uma luta por respeito. Não que eu tenha vivido relações abusivas, propriamente, mas sinto que a todo momento estive lutando para ser respeitada. Se não tinha que brigar para que respeitassem meu corpo, eram as minhas vontades, minha opinião, minha condição financeira, minhas atividades, meus compromissos, minha visão de mundo, meus sentimentos.
Hoje, eu tenho consciência de que essa luta não é isolada e não existe à toa. A minha luta por respeito é fruto de uma sociedade conservadora e patriarcal que trata as mulheres como seres submissos, indignos.
Não alimento a esperança de encontrar um homem que não seja machista, porque não acredito que isso exista. Por isso, procuro priorizar certos aspectos em detrimento de outros. Às vezes, sinto-me vencida pelo machismo e, quase, esmoreço. Mas estou viva e preciso seguir amando!
Lígia...
ResponderExcluirAcho que seria prudente que você não desistisse totalmente. É claro que o que me preocupa nesse aspecto é a crença em ilusões que parecem reais, mas que no fim nos machucam como se fossem navalhas decepando não só os sentimentos, mas também os direitos pelos quais se luta, como você mesma disse.
Contudo, apesar de não querer alimentar qualquer esperança, peço apenas que não se esqueça dela. Dê o seu máximo para se proteger desse lixo que te oprime, nunca desista de lutar, seja essa mulher forte e vigorosa que eu conheci a tempos atrás.
Não sei se você leva em conta minhas palavras, uma vez que faço parte do gênero masculino (ao menos anatomicamente), mas revelo aqui, para você, para aquela amiga distante de tempos atrás (tão ternos), que num dia desses eu também desisti. Desisti de tudo, do mundo como um tudo. Era egoísmo demais, hipocrisia demais, opressão demais, e mais um monte de coisa demais pra que eu pudesse crer que esse seria um mundo lindo e maravilhoso, como eu ouvia de tantas bocas. No final eu estava imerso em ilusões, e cego para aquilo que acontecia diante dos meus olhos. A figura da mulher era uma dessas ilusões. Mas não cabe aqui entrar nos méritos de como eu comecei a rasgar a ilusão que me vendava para poder ver as coisas como são, independente de serem boas ou más, e sim... reais. E nesse balaio repugnante, o modo como a mulher é tratada. Eu confesso que desisti, Lígia, não via condições e, menos ainda, porquês para viver num mundo tão desgraçado. Eu me tornei uma pessoa amarga e muito crítica por causa disso, não que isso seja totalmente ruim... enfim.
O que eu queria dizer, é que aos poucos eu comecei a observar fagulhas, muito sutis confesso, fagulhas de esperança, de gente que quer agir diferente, ou que de repente faz isso sem perceber, apenas pela humildade e inocência puras que ainda sobrevivem em seu espírito. Não sei o quão forte é essa razão, mas foi por ela que decidi não desistir totalmente, e tentar fazer algo pra conseguir melhorar esse mundo que me machuca tanto (não só a mim)... mesmo que minhas atitudes tenham o alcance de fagulhas, eu decidi não desistir.
Ainda que eu tenha o espírito maculado por tanto remorso de existir num mundo onde coisas absurdas são tomadas como normais, eu decidi que ainda vou lutar para fazer as pessoas sorrirem, sorrirem do modo mais puro e sincero que puderem, pra que encham os seus espíritos de esperança e que também não desistam totalmente. É como se fossemos um bando de aleijados se apoiando uns nos outros pra seguir em frente. Isso me lembra um livro do Saramago, Ensaio sobre a cegueira, mas não sei até que ponto é válida a citação.
Bom, só apareci aqui pra fazer esse falatório todo por causa de suas últimas palavras no post, que apesar desse machismo imbecil te derrubar, você está viva e precisa amar. Isso me pareceu uma linda fagulha brotando do fundo do seu peito, Lígia; então eu imploro pra que não desista. Ame, e lute. Ame sempre.
Quanto ao machismo, talvez eu tenha conseguido dissipar boa parte do que um dia pudera ter sido implantado em mim, seguindo essa linha idiota de patriarcalismo. Eu trato e vejo as mulheres de um jeito bem diferente dos meus "colegas de gênero". E faço questão de criticar a fundo qualquer babaca que não consegue ver na mulher um ser humano. A exemplo do título do seu post, eu pelejo contra os "machos" pra defender o mínimo de Respeito que uma mulher merece. Bom, quando começo a falar muito do que faço ou deixo de fazer, me bate um receio de estar parecendo pedante, coisa que detesto, então encerro aqui.
Desejo que fique bem, Lígia.