Há algum tempo eu nem conseguiria escrever um texto falando sobre o meu corpo. Estar fora dos padrões é algo cruel, mas não deveria. Falando no meu caso, especificamente, ser gorda não me torna menos saudável, não me torna menos bonita, menos interessante, menos agradável, mas ao olhos de muita gente sou vista como menos desejável, menos atraente e até desleixada. É muito difícil nadar contra a corrente de opiniões sobre o seu corpo, ao mesmo tempo que se busca ter mais saúde. Eu luto diariamente comigo mesma para não me preocupar em mudar meu corpo, ao mesmo tempo que vejo ele mudando por escolhas que faço em função do meu bem estar. Percebem a diferença? Eu sinto que preciso me libertar de toda uma vida de opressão, de ofensas contra a minha imagem, preciso me aceitar como sou, independente de como eu esteja. Hoje estou gorda, mas por causa de algumas escolhas que venho tomando, sobre praticar mais exercícios e me alimentar de forma mais consciente (priorizando aquilo que de fato nutre e não apenas sacia), sei que poderei estar mais magra em alguns meses (ou anos).
Em certo momento, ter conseguido emagrecer me ajudou a levantar minha auto-estima. Eu precisei me sentir aceita, emagrecer pelos “motivos errados“ para conseguir ter uma perspectiva diferente sobre o meu corpo agora, quando estou novamente gorda. Também foi importante perceber que, enquanto magra (ou com um peso“normal“) eu ainda me enxergava gorda, eu achava que precisava emagrecer mais uns 10 quilos, por causa da minha altura e considerando o meu biotipo. Quando vejo fotos daquela época, percebo que estava enganada. Certamente eu precisava de mais exercícios, substituir parte da massa gorda por massa muscular, tendo mais disposição e preparo físico para certas atividades do dia a dia ou que a vida poderia me apresentar, além de ter de suprir uma certa deficiência de colágeno que ajudava na minha flacidez, mas eu não precisava emagrecer. A aparência que eu tinha naquela época estava muito próxima do padrão estabelecido na nossa sociedade e mesmo assim eu não conseguia perceber isso. Eu via as fotos, ouvia o que as pessoas falavam, mas era como seu meu cérebro não captasse as informações da mesma forma que todo o resto das pessoas. Felizmente, superei aquela fase e agora posso prestar mais atenção aos sinais e não me deixar enganar novamente.
Apesar de eu ter uma compreensão melhor sobre a opressão que sofro enquanto mulher, gorda e negra, ainda é difícil. Eu ainda me considero “pouca merda“ quando conheço certos rapazes, eu ainda fico ansiosa quando surge a possibilidade de ter de mostrar certas partes do meu corpo a alguém, eu ainda me sinto inferior por ser diferente. Não que este tipo de pensamento seja predominante, mas de vez em quando a autoestima cai, a carência chega junto e pronto: tá formada aquela bad.
Eu não vou falar sobre medidas ou metas pra vocês porque não tenho nem quero ter nada disso. Eu quero ouvir o meu corpo, as minhas necessidades, para agir em função disso e não do que é esperado pelos outros.
escrevi um comentário tão grande que o blogger mandou diminuir, vou ter que postar no meu blogue! hahahaha
ResponderExcluirabaixo recortei as partes que direcionei a você, beijo!
não sei como anda sua vida, mas queria apenas ponderar o seguinte: em média passamos 8h dormindo, as outras 16h sentados, encostados e parados. nosso corpo não foi feito para isso e se ressente imensas vezes pelo fato de que fomos feitos para estar em movimento e nos agredimos desde a mais jovem infância para permanecer parados. certamente 1hora de caminhada por dia não é agressivo ou exagerado exigir de um corpo que evoluiu caminhando 9-10h ao dia atrás de sobreviver!
da mesma forma, eu acho que tirar alguns alimentos de nossas vidas nem que seja por algum período de tempo, JUSTAMENTE AQUELES QUE MAIS AMAMOS, nos empodera e nos recoloca num lugar de liberdade, porque hoje me parece que as pessoas confundem muito prisão de "não conseguir dizer não" com a liberdade de "poder dizer sim" a algo que gostem muito.