terça-feira, 20 de setembro de 2022

Lar

 "Eu me vejo em você"

Essa foi uma das primeiras coisas que pensei quando começamos a nos conhecer. Num primeiro momento, isso me deixou meio desnorteada, sem saber o que pensar. Nunca me vi nessa posição, porque sempre gostei de ter parceiros muito diferentes de mim. Uma das coisas que mais gosto, quando estou conhecendo qualquer pessoa, é descobrir o "mundinho particular" dela. Enxergar o mundo pela perspectiva do outro, entender porque ela gosta do que gosta, quais são suas referências e aspirações é um mergulho muito gostoso. 

Mas estou descobrindo que conhecer alguém muito parecido com a gente também pode ser muito bom. Acho que atrair pessoas assim faz parte do meu processo de autoconhecimento e autoconsciência. Quanto mais ciente estou de mim e do meu momento, mais atraio energias parecidas com essas. 

Conhecer alguém que de certa forma é um espelho pode ser muito desafiador. Eu conheço minhas sombras e sei muito bem o quanto ainda preciso evoluir, o quanto preciso trabalhar alguns aspectos para não ferir e aprisionar quem se aproxima. Isso me assusta um pouco, tanto por ser novo pra mim, quanto por uma certa insegurança a respeito do meu próprio amadurecimento. 

Tenho tentado desviar desses pensamentos autossabotadores e me focar no que importa: aprender a viver algo tão gostoso sem me jogar de cara, com mais cuidado - comigo e com o outro - e entendendo que não importa muito quanto isso vai durar e até que ponto vai se desenvolver, porque agora eu tenho a mim mesma como prioridade. Hoje, as portas do meu coração estão abertas para quem quiser fazer morada e vão permanecer abertas para quando essa morada não fizer mais sentido.


Me sinto agradecida e feliz com esse momento emocional, com cada pequeno momento com essa pessoa, mas sinto que lido melhor com a energia de apego, que estou sabendo fugir do medo de "perder", porque entendi que o que há de mais precioso no meu emocional é o meu amor próprio e este ninguém mais vai me tirar.

A relação que aprendi a cultivar comigo mesma é a mais linda que já tive e se tiver algum arrependimento é o de não ter me aberto para isso antes (mas ok, tudo no seu tempo). Sinto o acolhimento e o amparo da espiritualidade em cada passo que dou nessa jornada. Agradeço diariamente a mamãe Oxum e a Iemanjá, às ciganas, aos meus ancestrais e guias espirituais, ao anjo do amor essencial e a todos aqueles seres que de alguma forma me fortalecem. Fico comovida com a imensa beleza desse encontro, que me toca tão profundamente.

Nanã e Oxum me ensinam sobre o meu valor pessoal e a quebra de padrões ancestrais na forma de me relacionar. Estou entendendo que preciso enxergar o amor em mim para poder reconhecê-lo no outro. E quanto mais vejo amor e mim, mais clareza tenho sobre as intenções de quem chega.

Não tenho nem palavras para descrever o sentimento de gratidão sobre tudo que vem acontecendo internamente e externamente. Que a cada dia eu consiga me ouvir com mais clareza e enxergar a verdade das situações. As respostas estão sempre dentro.


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