Eu sempre gostei de dar pitaco sobre tudo na casa dos meus pais, desde a decoração até o que vai ser preparado pro almoço. Minha mãe, do outro lado, quase sempre respondia: “quando você tiver a sua casa, você faz do jeito que você quiser, mas na minha casa, é do jeito que eu quero“. A primeira coisa que essa frase me provocou foi vontade de ter a tal da minha própria casa. A segunda, foi a ideia de que eu não preciso ser nem fazer as coisas como a minha mãe quer. Eu percebi cedo que, muito embora ela nem sempre tivesse consciência disso, mainha estava me criando para ser uma mulher independente e com opinião formada.
Com o passar dos anos, mesmo um pouco longe da sonhada independência financeira, eu comecei a mostrar pra minha mãe que, embora ela seja lesbofóbica, homofóbica, transfóbica e um pouco racista, lá em casa vai ter negros (além de mim mesma), sapatão, viado, trava, e se reclamar, vai ter o dobro e mais um punhado de comunista devorador de criancinha. Porque aí, mainha, a casa vai ser minha e vai ser do jeito que eu quiser. A senhora pra entrar, vai ter que aceitar.
E valu pra tu também, visse, painho?!
Quando o tão sonhado dia da minha independência chegar, eu imprimo essa postagem e mando pros dois pelo correio.
A-do-rei!
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