Estou vivendo no sul da França há exatos 163 dias, o que equivale a pouco mais de 5 meses. Durante todo este período minha experiência de intercâmbio não tem sido nada do que eu pensava. A verdade é que, em muitos aspectos, o famoso berço do feminismo retrocedeu bastante. Eu esperava encontrar aqui um outro tipo de gente, uma outra vibe. Mas, por outro lado, tem sido uma experiência importante para reafirmar meus princípios e perceber o quanto o capitalismo é forte e apenas sofre algumas variantes, quando comparamos países “desenvolvidos“ e “em desenvolvimento“.
Passei alguns meses em um estado de depressão que nunca me abatera antes; uma vontade de dormir até que tudo isso acabasse. Eu sei que isso não resolve nada, mas quando estamos deprimidos não temos vontade de muita coisa, inclusive de resolver o que quer que seja. Nesse momento, também comecei a sentir muita falta do Brasil. Da cultura brasileira, principalmente. Da nossa música, da nossa dança, do jeito como festejamos tudo, da comida, da alegria, desse jeito que é só nosso e que eu nunca pensei que fosse me fazer tanta falta.
Mais recentemente, eu comecei a sair dessa lama na qual me enfiei e me engoliu. Comecei a pensar no que levai deste intercâmbio. Certamente não serão muitos amigos franceses. Mas quero lembrar disso como algo melhor do que foi até agora. Quero sentir saudade da França quando voltar para o Brasil e não só na hora que for pegar um ônibus ou comprar nutella no supermercado. Agora, quase às portas do gélido inverno europeu, eu quero resgatar o que há de colorido em mim e me unir ao que houver de colorido lá fora. Quero parar de pensar no que poderia ter sido se morasse em Paris ou no que pode acontecer quando me mudar para fazer estágio. Eu quero construir o meu próprio caminho.
Eu sou a única dona da minha vida e, embora as pessoas que estão em volta me abalem vez ou outra, eu não posso perder essa consciência.
Ainda não sei exatamente o que fazer pra mudar as coisas, mas eu vou. Minhaguardem, queridjinhos!
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