sábado, 26 de dezembro de 2020

Retrô

 Nos últimos anos tenho sentido esta dificuldade de escrever sobre o ano que passou, simplesmente porque não consigo lembrar direito de tudo. Algumas coisas parecem tão distantes, outras, apenas embaralhadas. Mas sigo tentando e fica aqui o registro do que eu conseguir.

Janeiro. Réveillon em João Pessoa. Não gostei muito e voltei doente. Pensei demais em Ronaldo, o encontrei algumas vezes. Fui ao bloquíssimo e me diverti, mas também passei cada raiva! 

Fevereiro. Preparativos para o carnaval. Mainha me deu toda a corda para as fantasias. Foi divertido fazer tudo isso. Passei o carnaval naquela casa precária e cheia de gente querida. Quase 40 pessoas, faltando água, banho de cuia, café comunitário e nenhuma briga. Não penso em repetir, mas foi gostoso de viver. Beijei um monte de boca conhecida e senti minha autoestima se recuperando um pouquinho. Aproveitei recife com minha amiga tão querida, vi outros amigos queridos e ainda conheci meu ídolo do cinema, Hilton.

Março. Volto para casa e entro imediatamente em quarentena. Passo a fazer as compras de casa por um tempo, me estresso e me sinto diminuída pela falta de autonomia. Acompanhei o bbb, entrei num grupo de mulheres e conheci um pouco mais uma delas.

Abril. Tão bonita e apaixonante, mas também muito novinha e inflexível. Eu sempre acho meio engraçado gente jovem inflexível, pq pra mim isso soa como sintoma de velhice. Me permiti sentir tudo e senti mesmo. Comecei minha mentoria, passei a me dedicar mais aos trainees.

Maio e Junho. O romance começou a desandar. Consegui mexer no tcc. Continuei na terapia, que tanto me ajudou em tudo que estava por vir. Dei muito de mim a quem estava por perto. Talvez um pouco demais. E aí tudo desandou de vez. Sofri, me feri e terminei por ferir também. Me arrependo, mas não guardo rancor. 

Julho. Começo a cuidar mais de mim. Me dou um tempo pra me curar por dentro. Decido lançar minha marca de crochê e começo todo o planejamento. Muita pesquisa, as ideias fervilham o tempo todo, mal consigo dormir. Aos poucos começo a botar os planos em prática.

Agosto. As ideias começam a tomar forma, faço os primeiros testes. Haja frustração, haja persistência. Ao mesmo tempo tento lidar com todas as reijeições dos trainees e os novos processos que aparecem. Retomo o tcc.

Setembro. Inicio as aulas de francês, estou inscrita em cada vez mais processos e sigo determinada no crochê, Faço parcerias únicas e incríveis (obrigada Andressa e Morgana). Conheço um rapaz bonito e começo a paquerá-lo. Estou morta de cansada quase todos os dias, mas não paro.

Outubro. Sigo cansada, sigo tentando. Começo a receber os materiais que encomendei para o lançamento da Gardê, sigo nas aulas de francês, sigo tomando bota das empresas. Consigo dar um respiro e ir a Natal, ver amigos, aproveitar a praia e conhecer o rapaz. Foi tudo muito gostoso de viver. Queria mais, de tudo. O exagero me deixou exausta, mas depois de alguns dias de descanso, voltei ao ritmo pesado.

Novembro. Foco no tcc e nos trainees, mas sem poder abandonar por completo o francês e a gardê. haja trabalho, haja energia. Aguentei o quanto pude, mas o surto veio. No final, deu tudo certo. Tirei um surpreendente 9, fui bastante elogiada. Engenheira, finalmente. O rapaz surpreendeu, ora de forma positiva, ora de forma negativa. O que teve de positivo foi suficiente pra me fazer continuar.

Dezembro. Tudo começa a ruir, de certa forma. Problemas com a gardê, nada de trainee, nada de emprego, nada de poder me envolver como eu gostaria. Depois as mensagens tão pesadas que voluntária ou involuntáriamente li. Quanto ódio, quanto rancor, quanta tristeza. Depois de mais de um ano, tanto sentimento, ainda. Só queria paz.

Estou aqui, 26 de dezembro, com fé no futuro, mas me sentindo perdida, de certa forma. Em dúvida se estou agindo certo, com bastante medo de não merecer o que gostaria de conquistar. Não sei se estou me iludindo, mas ainda tenho fé nesta vida, fé nos meus sonhos, fé no meu crescimento como pessoa. Me sinto cada vez mais consciente de que não é fácil viver, mas é bom. E mesmo sendo difícil, estou disposta a buscar a vida que desejo pra mim. 

Que em 2021 eu consiga ser melhor, consiga colher os frutos do meu trabalho, dos meus esforços, em todas as áreas. Que nada do que eu conquistar me faça perder a perspectiva sobre quem eu sou, de onde eu vim, quem eu quero ser e tudo que eu preciso fazer para conseguir, para ser alguém de quem eu me orgulhe.

Sou grata por cada ensinamento deste ano. Sou grata por estar viva e saudável em um país com quase, 1,5 milhão de infectados e quase 200 mil mortos por uma única doença. Espero que minha tia tão querida esteja bem, feliz e olhando por nós, do jeitinho divertido que ela sempre teve. Sou grata por ter o apoio da minha família para tantas coisas e que mesmo com todas as dificuldades de convivência, eu seja tão privilegiada nas minhas condições de vida. Que este novo passo que darei esteja abençoado e alinhado com os desígnios do universo. Sei que preciso ter mais fé, mais confiança na vida, no universo. Sei que preciso orientar melhor meus pensamentos e não me permitir cair nas armadilhas da negatividade. Faço aqui o voto de me dedicar mais a isso e conseguir ser cada vez mais luz para mim mesma e pra quem me acompanha. Obrigada, obrigada, obrigada por estar viva, por querer viver e por conseguir aprender e crescer com o que me é ofertado.

Que, enquanto humanidae, consigamos ser melhores, mais empáticos, mais respeitosos, mais solidários. Sei que a próxima era (de aquário) vai cobrar tudo isso e quero muito estar alinhada com esse pensamento, para poder agir pra transformar nosso modo de vida em outro melhor, mais sensível.



Um comentário:

  1. Querida!

    Nem sabia que seu blogue ainda existia, desde que migrei para o wordpress. Mas deu um pau aqui no computador que uso, entrei na lista de leitura do blogspot, e olha aí vocÊ!

    2021 vai ser diferente, tenho certeza., ainda que não possa prever que será melhor.

    Você vai longe!

    Um beijo

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