segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Hello, Kity!

Quando seu filho nasce, o padrinho da criança pode presenteá-la com uma vaca, um bezerro, um cabrito, uma galinha, ou um ganso, por exemplo.

Aqui no interior é comum criar animais um tanto diferentes no quintal de casa, e, se o bichinho não for proporcional ao tamanho do seu lar, sempre haverá alguém com um belo sítio para abrigar o animal. Esse tipo de presente também é frequente em outras comemorações, como aniversários, bodas, casamentos ou até como pagamento de serviços. Meu pai mesmo já recebeu muito "salário" em frutas, verduras e galinhas.
No meu aniversário de 8 anos, tal foi minha surpresa quando fiquei sabendo que havia ganhado, como presente do meu padrinho, uma galinha, viva ainda por cima (mas não por muito tempo). 
Logo no início da semana, quando cheguei do colégio, corri pro quintal e a vi amarrada numa pedra. Coragem para chegar perto dela, eu nunca tive, mas, mesmo assim, acabei me afeiçoando ao galináceo. Botei-lhe o nome de Kity e todos os dias dava uma espiada pra ver se ela estava bem.
Assim ficamos, eu e Kity, nessa relação meio platônica, até que, em um domingo de sol, acordo com o cheiro de comida vindo da cozinha, pergunto para a minha mãe o que tem na panela, e ela me responde com a maior naturalidade:
- Galinha caipira.
- Que galinha, mainha?
- Aquela que seu padrinho te deu. Já estava boa de matar.
Eu corro para o quintal , vejo a pedra, a corda e nada de Kity. Volto para a cozinha meio cabisbaixa e falo novamente com a minha mãe:
- Mainhaa, tem outra coisa pra comer?
- Por que, menina? Uma galinha dessas, tão boa, muito melhor do que aqueles frangos de granja. Não quer comer por quê?
- Mas era Kity, mainha. Como é que eu vou comer a galinha cujo nome eu mesma coloquei? Kity eu não como!
- Ah, menina tonta!
Ainda provei a farofa feita do caldo de Kity e me senti quase uma canibal. Ela não era muito esperta nem nada, mas foi meu bichinho de estimação por algumas semanas.

3 comentários:

  1. É imagino o trauma criado. Nunca tive bicho de estimação que fosse comestível,exceto o gato que vive comigo hj. Lembrei de uma históra que minha mãe contava sobre sua infância. Meus avós tb são do interior, mas daqui de SP. Tinah uma pequena criação e um belo dia o velho decide dar cabo do pato. Decepa-lhe a cabeça e assim que o coloca na água quente para depená-lo, o pobre do animal sai cambaleando pelo quintyal com a cabeça pendurada de lado e meus tios e tias, ainda crianças, gritando desesperados. Resumo: só meu avô comeu o bicho e ninguém dormiu naquuela noite.
    Bjs
    Duh

    ResponderExcluir
  2. Nossa que cena medonha!
    Eu não fiquei tão traumatizada e nunca tive bichos de estimação (exceto kity *-*), mas até hoje não como galinha caipira, hehe.
    ;*

    ResponderExcluir
  3. meldels... =O mãe ja fez isso tb! Eu criava dois pintos e ela um dia matou os dois e comeu. ¬¬

    ResponderExcluir