segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Do peito pra dentro

Engraçado olhar para a última postagem e pensar o quanto a minha vida mudou em menos de 4 meses. Esse tempo, no meio de uma pandemia, parece menor do que pareceria em outras circunstâncias. Aquele amor que eu vim aqui toda feliz contar sobre, já acabou. Dei tempo, tentei de novo, mas não deu. Apesar das dores e das mágoas que, infelizmente, foram deixadas, fico feliz, porque nesta experiência me percebi mais madura e capaz de priorizar, pela primeira vez em muito tempo, o que eu quero e preciso. Sinto que finalmente aprendi certas lições sobre mim, sobre o que eu desejo para a minha vida e, consequentemente, para as minhas relações amorosas.

O período de isolamento, que ainda persiste, também tem me feito pensar bastante sobre todas as outras relações que tive e tenho até hoje. Tenho lembrado bastante de pessoas do passado, também. Não sou de ficar "chafurdando" nas memórias, mas a vida vez ou outra nos traz muitas lembranças de uma só vez. E, sendo honesta, eu gosto desse olhar para atrás, porque é um olhar de compreensão, de acolhimento. Consigo perdoar meus erros (ou boa parte deles), consigo me sentir satisfeita com os caminhos que escolhi, e me sinto progredindo enquanto ser humano. Penso que às vezes a gente precisa, sim, olhar para trás e se lembrar de quem foi, de quem gostaria de ser, justamente pra se manter firme nas escolhas e convicções do presente.

Em outros tempos eu estaria triste e queixosa sobre ter voltado à casa dos meus pais, onde por vezes me sinto tão ferida.  Mas tenho conseguido olhar para o momento presente como mais uma etapa, mais um passo dentro de uma longa jornada em busca de quem quero ser e do que quero conquistar na vida. Estar aqui, neste momento, faz parte disso e, reconheço, também traz consigo seus alentos. 

Estou aqui ouvindo Bethânia e pensando com tanto carinho sobre mim, sobre a vida e sobre os que compartilharam um pouco de vida ao meu lado, seja lá em que tipo de relação e por quanto tempo. Sinto-me em paz com o passado, com as pessoas, com um sentimento de perdão sobre toda aquela dor que me foi causada. Não por ter finalmente entendido, porque não entendi, mas simplesmente porque aceito que me aconteceu até aqui. Nem que este sentimento dure apenas por agora, por um instante, me sinto feliz de me perceber assim.

Comecei dizendo que minha vida mudou muito em poucos meses, mas pensando melhor, a mudança foi mais interna. Quem vê de fora , até percebe avanços com relação ao trabalho, depois das aulas de francês e dos investimentos no crochê, mas a reviravolta maior se deu do peito pra dentro.

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