Cá estou, insone mais uma vez. Os motivos ficaram para os dois posts anteriores. O fato é que, depois de assistir um filme bem gostosinho com Keira Knightley e Mark Ruffalo nos papeis principais, eu tentei ler mais uma vez, o kindle descarregou e eu voltei ao Netflix, desta vez a procura de um filme francês. Escolhi um que parecia um drama, mas me dei conta que mesmo os dramas franceses soam um pouco cômicos para mim. Eu me divirto um pouco lembrando daquela falta de tato para as relações interpessoais, os arroubos de irritação, como no dia em que eu estava tomando uma cerveja com um cara num restaurante ao lado da minha casa e uma moça passou ao telefone, dizendo: “répond ma question!“ (responda minha pergunta) umas 5 ou 7 vezes, cada vez um tiquinho só mais exaltada, até que na última, exatamente enquanto passava perto da nossa mesa, deu um grito que a praça inteira se virou para ver do que se tratava. Lembro que as pessoas olharam e logo mudaram de assunto, o meu acompanhante mal deu atenção e a própria moça seguiu como se nada tivesse acontecido, mas eu achei tudo muito engraçado e surpreendente. No Brasil o que a gente mais ouve nas ruas - dependendo das ruas - são gritos, mas na França as pessoas são mais comedidas, mais reservadas, ao menos em público ou em boa parte do tempo. Eu só costumava ver franceses realmente alterados quando jovens e bêbados. De resto, eram apenas raras exceções. Eu tenho a impressão que esse lado da “politesse“ ajuda a galera de lá a manter a fama antipática. Não que eu goste de pessoas barulhentas ou que se exaltam com facilidade. Na verdade, não gosto nem um pouco. Apenas acho que pode fazer bem a gente ser mais expressivo, sabe?
Voltando ao filme, é engraçado perceber a atuação quando você realmente conhece o modo como as pessoas gesticulam, falam, se comportam de modo geral. Isso fica muito evidente para mim nos filmes franceses e pernambucanos, não sei como as pessoas do sudeste se sentem com as novelas e a maioria dos filmes, talvez seja parecido. Talvez o selo das grandes produtoras roube um pouco dessa autenticidade. Ou ainda, o hábito de se ver tão frequentemente na ficção impeça essa sensação de existir para essas pessoas.
Vejo as expressões na ficção e imediatamente lembro daquelas que estiveram presentes na minha história. Hora julgo caricatas, hora imagino se as pessoas que conheci que tinham esse ar, em particular. Minhas experiências foram limitadas, então não dá mesmo pra saber ao certo.
Hoje à noite também pensei muito no meu último affair francês. Aquela cruza de Javier Bardem com Piquet, sabe? Ele foi exatamente o que eu falava aos quatro ventos que queria, desde que me mudara para Bordeaux: uma relação intensa e pouco duradoura. Menos intensa e duradoura do que eu gostaria, mas provavelmente o suficiente para aquele momento (eu sei que não dá pra dizer se era suficiente ou não, muito menos baseado em quê, mas eu gosto de pensar assim).
E isso me lembra o quanto me sinto só aqui em Natal, ultimamente. A maioria dos meus amigos está namorando - tem gente até casando - e eu sinto minha autoestima cada vez mais baixa, aí eu como mais e mais coisas que não posso, nem devo (lactose e doces, frequentemente juntos). então, me sinto pior... Bom, o resto a gente já conhece. Pra piorar, meu melhor amigo e praticamente único solteiro é gay. Como eu também gosto bastante dos lugares mais alterna-vibes (muita coisa comum no sul e sudeste é considerada o que há de mais alternativo em Natal, we just have to deal with it!) e esses lugares reúnem muito da comunidade lgb natalense (porque o T da sigla costuma estar se prostituindo nas ruas do meu bairro e adjacências, infelizmente). Resumindo, só tenho frequentado ambientes com pouquíssimos ht - o que em Natal poderia ser considerado qualquer lugar, quando se trata de homens ht, mas, neste caso, me refiro especificamente a lugares mais gay-friendly mesmo. Não que eu esteja procurando alguém ou mesmo que eu me lembre o que é paquerar, até porque minha autoestima não permite esse tipo de extravagância no momento, sobretudo considerando os quilos a mais que me atormentam. Eu só queria um pouquinho dos romances hollywoodiano, ou até do francês, que tende a ser mais realista.
Por um lado, eu quero porque sinto a carência física, sinto falta dos toques, dos abraços cheios de significado, de ficar sem fazer nada junto. Por outro, sinto vontade de experimentar coisinhas que minhas relações anteriores não permitiram (até por terem sido muito curtas, creio), como aquelas trocas de ideias, conversas profundas sobre arte, trocas intelectuais enriquecedoras, gostar das mesmas músicas, cozinhar junto, cuidar de casa junto (ainda que seja da minha casa)...
E eu que pensei que os meus 20 e poucos anos seriam os melhores. Espere que nos vinte e muitos dê uma melhorada, porque não tá tranquilo nem tá favorável.
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