domingo, 19 de junho de 2022

Talvez num tempo da delicadeza

 A 4 meses dos 30 anos me pego vivendo as consequências de mais uma relação fracassada. Mas fracassada mesmo, não daquelas que a gente consegue lembrar que foi bom enquanto durou. Enquanto durou, já não era tão bom. E ainda assim, lá estava eu.

Recentemente, comentei com a minha terapeuta que não sei muito bem em que momento dos últimos 7 anos eu me perdi tanto de mim. Parece que cheguei em um momento da vida que para seguir em frente tenho que olhar e resgatar bastante do que ficou lá atrás. 

Esse movimento é um pouco confuso, porque, ao mesmo tempo que já não ligo mais para uma caralhada de merda que me afligia anos 20 e poucos, também percebo que um lado mais leve e divertido foi embora junto com algumas pessoas que passaram pela minha vida. Em parte, elas me tomaram; em parte, eu dei de mão beijada.

A Lígia adolescente que começou esse blog tinha pavor da ideia de se amargurar, se endurecer demais com a vida, de desistir do amor e de se relacionar com as pessoas. Acho que não fui tão longe assim, mas eu realmente não tinha ideia do quanto as pessoas podem ser cruéis, egoístas, mesquinhas e manipuladoras. Também achei que seria um pouco mais fácil não trazer à tona tão facilmente o que eu mesma tenho de pior. 

Tem sido comum me surpreender comigo mesma, mas o que eu realmente não percebia naquela época é o quanto gostar ou desgostar de mim mesma influenciava nisso tudo. 

Parando pra pensar sobre isso, fica claro o quanto essa cultura machista é cruel. A gente cresce aprendendo a se odiar, a se desrespeitar, a se submeter, e por mais feminista que a gente seja, nunca vai ser possível se desvencilhar completamente dessa educação opressora.

Quando a gente vive uma relação muito ruim, com muita manipulação emocional, e a outra pessoa logo segue a vida como se nada tivesse acontecido, dá uma sensação de humilhação horrível. Eu sempre me orgulhei de "superar" rápido as minhas desilusões amorosas, mas tem certos tipos de relação que não são apenas desilusões, elas têm uma violência muito sutil, que faz vc achar que a culpa pelo seu sofrimento é sua.

Essa última relação, em específico, me colocou em um lugar de não saber exatamente o que fazer pra me curar dessa mágoa. Então, estou escrevendo aqui, só pra colocar pra fora mesmo. E fazendo terapia. E olhando mais pra mim - seja lá o que isso signifique. 

Esperando que a dor passe e que eu não me permita habitar certos lugares novamente.

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