quarta-feira, 10 de abril de 2024

Temporada de eclipses: eclipse lunar em libra

Hoje é o primeiro sábado depois daquela conversa. Os fins de semana eram os dias em que costumávamos nos ver. Ou em que eu esperava te ver. Eu reconheço o problema, reconheço que algumas coisas precisavam mudar, mas nada disso me impede de sentir saudade de você. Será que esse sentimento ainda é uma forma de falta de amor-próprio? Será que ainda te querer é ignorar o desprezo e a dor que vc me proporcionou? Talvez seja. E se for, sei que meu coração vai conseguir se limpar desses sentimentos, com ajuda de minhas mães Iemanjá e Oxum. Eu sei que tenho o direito de me sentir assim, de sentir saudade dos bons momentos, de ainda me sentir conectada a você e àquele amor, porque tenho certeza de que foi real. Ainda que mais nada tenha sido, o amor e a conexão eu sei que foram reais.


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Desde que comecei o meu processo de desenvolvimento espiritual, sempre consegui encontrar sentido em tudo que me acontece, mesmo nas coisas mais aleatórias e absurdas. O propósito daquilo sempre se revela, cedo ou tarde. 

Quando nos conhecemos, eu estava com uma energia boa, estava buscando me reerguer financeiramente, buscava construir algo de concreto na minha vida e, de modo geral, estava com certa clareza de quais caminhos me levariam ao destino que eu buscava. Eu tinha minhas angústia, meus dias de dúvida e desânimo, mas na maioria do tempo eu estava bem.

Me sentia um pouco só, desejava construir algo na área afetiva também e me permiti usar aquele app mais uma vez, depois de meses sem querer conhecer ninguém.

Te encontrei num momento parecido, com muitos sonhos, planos e feridas sendo curadas. 

Reconheci seus vícios, seus medos, seu ego, mas tbm seu poder, sua força, seu coração amoroso.

Não sinto que superestimei suas qualidades em detrimento dos defeitos. Vi bastante potencial, mais do que coisas concretas. E eu acredito no potencial das pessoas, tanto pro bem quanto pro mal.

Hoje, 11 dias depois daquela conversa, consigo enxergar algumas razões para ela ter acontecido. Consigo enxergar sentido no rompimento, independente de qual tenha sido a real motivação, a influência energética e espiritual, sei lá. Eu vejo sentido, eu vejo uma lição importante, eu vejo a necessidade de melhora e aprendizado.

Mas eu não vejo sentido para esse encontro, sem a possibilidade de ficarmos juntos. 

Por que a gente se conheceu, se envolveu, se desejou, se amou? Pra passar por esse sofrimento e pronto? Não consigo ver sentido nisso.

Por isso também que, na nossa próxima conversa, quero te ouvir mais do que falar. Quero ver se nas suas palavras encontro algum sentido pra tudo isso. Um sentido que sozinha ainda não consegui dar.

Independente do que for dito nessa conversa, sei que vou conseguir seguir meu caminho, seja ao seu lado ou longe de você. Mas agora vai ser de fato o meu caminho, no meu lado da estrada. 

Temporada de eclipses: eclipse solar em áries

Eu passei dias chorando por você. Duas semanas inteiras, na verdade. Quase todos os dias, eu chorei. Quase todos os dias, eu tentei achar respostas, tentei entender o que tinha dado errado, o que eu tinha feito de errado. Talvez eu tenha chorado mais por não entender do que por saudade. Nos primeiros dias, foi por saudade e por vontade de estar perto, de construir a nossa história. Eu não entendia direito porque as outras questões da sua vida te faziam querer repensar a nossa relação, não conseguia enxergar mto nexo. Mas no fundo vc sempre foi um pouco misterioso e distante, vc não gostava de falar de algumas coisas do seu passado, ao mesmo tempo que falava bastante sobre outras. Sinto que você conheceu meu coração completamente nu e entregue, sem conhecer de fato meu potencial, minhas conquistas e minha história. Você não se interessou o suficiente a ponto de admirar a minha trajetória, que apesar de todos os erros, foi mto bonita, rica e intensa. Eu conheci a sua história, aprendi a admirar a sua força, o seu poder, a sua determinação e o seu comprometimento com tantas coisas, mas não consegui conhecer a verdade do seu coração. Não por falta de interesse, mas por falta de oportunidade. Talvez não tivesse tanta profundidade assim e eu não percebi. Como naqueles provadores de loja de departamentos, que no fim do corredor tem um espelho e a gnt fica meio confusa pra saber onde ele realmente termina. Talvez o que eu enxerguei no seu coração tenha sido um reflexo do meu próprio amor. 

Nessa primeira semana, me permiti sofrer, chorar, ficar triste. Até que um dia me deu um estalo e eu cansei de ficar sofrendo por alguém que não tinha certeza se me queria, se me amava, se eu valia o investimento ou não. Eu valho, sim. Foi essa certeza que me fez entender que pra mim aquilo precisava acabar. Mesmo que vc decidisse voltar, não tinha mais volta, mas poderia ter um novo começo.

Passei alguns dias nessa certeza de que o novo era possível, se houvesse disposição pra mudança, de ambos os lados - do meu lado, muito já estava mudando. Mas o tempo foi passando e aquela certeza toda foi sendo invadida por uma angústia, uma agonia quase física. "por que ele não me procura?", "eu não aguento mais essa incerteza", "eu preciso de uma reposta, mesmo que seja a que eu não quero ouvir". Foi então que em véspera de eclipse, a urgência ariana tomou conta de mim e te enviei aquela mensagem, pedindo pra conversar. Sua resposta fria, gelada, como o aço de uma espada, me feriu profundamente. Mais uma vez, eu não entendia. Se ele "não retirava nada" do que tinha sido falado anteriormente, por que me tratava tão mal? Por que tanto desprezo? O que foi que eu fiz? O que foi que eu não percebi? Chorei de desespero por horas, até que levantei e fui pesquisar sobre nossos mapas. A astrologia confirma o que eu sentia sobre o nosso encontro. Mas a nossa história não confirmava mais as tendências astrológicas. Consegui dormir, depois de 2 relaxantes musculares e um mar de lagrimas derramadas. Acordei e enviei mais mensagens, explicando que entendia a decisão de não querer continuar, mas algumas coisas ainda estavam confusas. Cheguei a implorar por uma conversa. Pedi por favor, pedi que considerasse pelo menos os nossos momentos felizes. Você mesmo assim negou, mas junto da negativa, trouxe a verdade que eu precisava ouvir. Você tinha encerrado tudo lá naquele domingo, na tal conversa em que, pra mim, havia pedido um tempo. A primeira coisa que pensei foi: até quando eu ficaria esperando aquela conversa que nunca existiria? As 2 semanas que decorreram pareceram uma eternidade. Me senti devastada com a consciência de tamanho desrespeito.  Ainda chorei copiosamente por alguns minutos. Eu tremia dos pés a cabeça, gemia e soluçava de profunda dor. 

Tive forças para uma ultima pergunta: se tudo já tinha terminado ali e o tempo pra pensar tinha sido apenas o do fim de semana que não nos vimos, por que falar que não retirava nada do que havia dito antes? Sua resposta conseguiu ser ainda mais covarde: "porque tudo que vivemos foi verdadeiro".

Algo do que vivemos foi verdadeiro, sim, porque da minha parte havia muita verdade, profundidade e intensidade. Mas do seu lado, não sei dizer. Talvez nem vc mesmo saiba direito. Talvez nem um detector de mentiras pudesse atestar com precisão.

O fato é que essa resposta, verdadeira ou não, revelou a chave para todas as minhas dúvidas. 

Não era em mim que faltava algo. Não era eu quem tinha feito algo errado. Eu não conseguia entender antes, porque enxerguei em você alguém que você talvez não estivesse disposto a ser. Porque as atitudes que vc estava tendo não faziam sentido com a pessoa que eu enxergava. Mas naquele momento eu enxerguei o tamanho da sua covardia. Te enxerguei pequeno, como nunca achei possível. Minúsculo, vil, cruel. Percebi que dentro de você habitava essa crueldade covarde e egoísta, que era incapaz de me oferecer uma conversa sincera, nem que fosse a última. Quando te enxergo pequeno assim, percebo que o meu amor pode ter mesmo te assustado. O amor é para os corajosos, honestos e comprometidos com ele. E isso eu sou. Posso falhar mto ainda me amar e me enxergar como de fato sou, em ter mais compromisso e dedicação aos meus próprios projetos, tanto quanto tenho a amar o outro, mas sei que não tenha medo do amor, não tenho medo de amar. 

Quem sabe essa dor toda não me ajude a reconhecer toda a minha coragem e todo o meu amor, né?

Mesmo depois de tudo isso, o que mais me assustou em você nem foi a covardia ou a pequenez, foi a frieza. Dias depois de dizer que me amava, que queria um relacionamento comigo, você me tratou com uma frieza e um desprezo dilacerantes. Isso sim me assustou. Sua capacidade de ser indiferente a tudo que eu sentia. Sentimentos que você fez questão de despertar, vale dizer. Eu já sentia amor por vc, antes de dizer que te amava, mas eu estava tentando ser cautelosa comigo mesma e com você. Até que você disse que me amava, mais de uma vez. Poder dizer que te amava foi lindo e libertador pra mim, pq eu realmente senti um amor mto bonito. Eu me sentia, e ainda me sinto, conectada com vc de uma forma que vai além dessa existência. Essa conexão, confirmada pelas ferramentas espirituais, não é suficiente pra fazer com que ficássemos juntos nesta vida, pq a escolha é sempre do agora. E agora você escolheu um outro caminho, que não tem espaço pra mim. Eu já cresci o suficiente pra entender que onde não me cabe, não devo insistir. Se um não quer, dois não brigam.

Às vezes acho que um dia você ainda vai perceber tudo isso e me procurar. Mas vai ser tarde, porque a vida me reserva outros encontros. Se sou mesmo a alma antiga que às vezes sinto ser, sei que existem outras almas afins com quem eu posso viver algo tão profundo e verdadeiro quanto aquilo que tentei viver com você.

Ou talvez o meu caminho não fosse mesmo com você e essa história toda tenha servido pra eu repensar melhor minhas escolhas e o que eu enxergo nas pessoas: quem elas são ou quem elas podem ser.

Sei lá, ter 32 anos de vida, dizer que ama a pessoa, dedicar a ela sentimentos e planos, mas não ter coragem de ter uma conversa cara a cara pra encerrar a relação, chega a soar ridículo pra mim.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Temporada de eclipses: entre eclipses - meu bem querer, meu encanto

 A sensação é de ter levado mais uma rasteira da vida. Não que estivesse - ou fosse - tudo perfeito, mas existia amor, felicidade, verdade e uma conexão profunda, sim. Aquele momento aqui no meu sofá, de reconhecimento pleno e genuíno de espíritos, não tem como ser esquecido, vai ficar marcado como acredito que essas almas já se marcaram mutuamente em outro momento da existência. Tem momentos que são assim, a gente apenas sente o que são, não consegue explicar, significar, só sentir profundamente de uma maneira que poucos encontros na vida são capazes de proporcionar.

Mas a conexão não era a única coisa que me prendia ali. Havia também muito futuro possível, muito potencial de vida, de parceria. Pelo menos, do lado de cá, era assim que eu enxergava. Ou enxergo, ainda. Não tenho mais tanta certeza. Porque quando algo se parte assim de forma meio inesperada, é difícil continuar tendo algumas coisas como certas. O que tenho de mais certo são a conexão e o sentimento, isso sei que é inegável, porque se sentia no ar, se notava na nossa expressão, na nossa fala, no nosso olhar para o mundo. 

Acho que já cheguei a falar em outro momento, por aqui mesmo, que amar não é suficiente. É imprescindível, é preenchedor, é excitante, mas não é tudo. Talvez o amor só seja suficiente na adolescência ou nas paixões não correspondidas; porque ali, tudo, ou quase tudo, parece se resumir ao sentir. Não é melhor nem pior, só não tem sustentação, base, estrutura para ser longevo e saudável.

Depois de um certo ponto da jornada, a gente valoriza mais a segurança, o compromisso, a lealdade, o compartilhar do dia a dia, estar mais presente nas segundas do que talvez nos sábados. Isso é que eu não sei se você queria tanto assim. Talvez não quisesse agora. Talvez não quisesse comigo. No final, não faz muita diferença se pelo momento ou pela pessoa, o importante é o não querer. Por isso que no início daquela conversa tão dolorida, uma das minhas primeiras perguntas foi sobre o seu querer. Não havendo vontade, não há sentido pra muita coisa além. Porque eu posso suportar a distância, a falta de tempo, a necessidade de focar a energia em outros aspectos da vida, mas nunca a falta de vontade. Se o amor é um ato de vontade, é a vontade que faz a distância, a falta de tempo e qualquer outro tipo de sacrifício ser suportado. Aliás, só soa como sacrifício e exige esforço de superação quando existe a vontade da presença.

Não sei direito quem se comunicou mal naquela conversa específica. Provavelmente, os dois. Você por tudo que não disse, eu, por me precipitar a preencher os seus silêncios. Tem hora que não suporto mesmo os silêncios e tento preenchê-los a todo custo - e que custo. Mas não dá pra dizer que tudo se deu como se deu apenas por isso. Não dá para culpar as palavras pelo que se estava sentindo. Elas podem refletir de uma maneira um pouco equivocada, confusa, mas naquela conversa não teve manipulação, dissimulação. Pode não ter sido da melhor forma, mas o que foi falado estava sendo sentido.

Não sei se você é capaz de entender o quanto me dói rever aquela conversa e perceber a falta de querer. A incapacidade de repetir algo que você mesmo foi o primeiro a manifestar. Eu também não tenho muita compreensão do porquê dessa história se repetir. Nem sei direito se é mesmo uma repetição, porque apesar de a dor, a decepção e a sensação de inadequação serem as mesmas, desta vez eu não sinto que agi como antes. Com certeza, fiz mais do que me cabia, quis mais do que me queria, fui mais intensa do que se previa. Ainda errando um pouco na tentativa de estar mais atenta, de não caminhar pelo outro, de não fazer além do que me cabe. Mas certamente muito mais consciente que antes, tentando achar um equilíbrio entre não me fechar completamente e não ultrapassar o espaço do outro. O que pouco se fala sobre a busca do equilíbrio é que a gente acaba tendendo aos extremos. Como um pêndulo, que para se centrar, vai de um lado ao outro. É necessário paciência e, novamente, vontade.

Não posso falar muito sobre o que você sente, eu sei. Estou tentando colocar pra fora o que me chegou sobre o que você sente. Falar que não retira o que disse é profundamente diferente de reforçar o que foi dito. Não desdizer não é dizer, é, no máximo, lembrar que foi dito. Isso me doeu. Por que de repente se tornou tão difícil falar o que já foi dito antes, com tanta sinceridade? Eu só tenho uma explicação pra isso.

Sei que teremos ainda outra conversa - pelo menos uma - na qual poderemos olhar para tudo isso com um outro olhar. Sinto que tenho tanto pra colocar pra fora, e por isso escrevo aqui, para derramar um pouco todo esse amontoado de sentimentos e pensamentos que não quero levar para nosso próximo encontro. Lá, quero mais ouvir e tentar entender o que não ficou claro antes. Nem de longe me sinto preparada pra isso, pra te ver sem chorar, pra ouvir e falar sobre essa dor, para a possibilidade de te ver cortando esse último fio que nos une. Mesmo que seja eu quem decida cortar esse fio, não me sinto pronta sequer pra falar muito sobre isso.

Como doem os amores não vividos. Como pode ser cruel a sensação de perda de algo que nem chegou a existir em sua plenitude. Que marca profunda o "não ser" pode deixar na gente.

Quando olho para os gestos de carinho que te direcionei, os presentes, as bobagens com ares adolescentes, me sinto ao mesmo tempo desolada e feliz. Feliz por ter me permitido, por ter sido, por não ter escondido esse meu lado mais amoroso, leve, e generoso. Mas se antes esses objetos, palavras e atitudes eram um lembrete do amor, agora são uma recordação triste de tudo que já não é, tudo que já não somos. Escondo aquele coração no fundo da gaveta por isso, para evitar lembrar, pra evitar sentir novamente o tamanho daquele sentimento tão bonito.

Me comprometi e mantenho o compromisso comigo mesma de guardar tudo isso até que a tal conversa aconteça, mas uma parte de mim já tenta se libertar, porque sabe que eu não mereço essa incerteza, essa falta, esse desamor. Eu sou maior do que o espacinho que você reservou pra mim na sua vida e não vou me diminuir pra caber ali. Devo isso a mim, a quem veio antes e a quem vem depois. E quando a minha filha nascer, quero que aprenda com o meu exemplo, com a minha força, com a conexão que existe com as nossas ancestrais. Para isso, eu preciso me escolher primeiro, me fortalecer primeiro, honrar e respeitar a minha essência, a minha intensidade, a minha sensibilidade e a minha força. É o meu destino carregar tudo isso, mas na mesma medida que essa sina me escolheu, eu a escolho de volta. Eu amo e valorizo a força do meu sentir, a intensidade e a profundidade do meu ser, a robustez e a longevidade das raízes que me sustentam e conectam com a natureza mais sagrada desse existir. Esse meu amor e essa minha conexão são muito maiores que eu e você, são eles que me permitem te reconhecer em alma e ainda assim perceber que não existe só você, que não existe um só caminho para a minha felicidade. Já te disse antes e repito agora: não precisamos um do outro. Eu não dependo de você para nada e por isso que o meu amor é tão forte, porque nasce de um reconhecimento, mas floresce na vontade pura e genuína, na admiração e no respeito.

Não sinto que a intenção do universo em te colocar na minha vida, e eu na sua, tenha sido uma lição sobre livre arbítrio. Acredito que foi de fato um presente, uma oportunidade de viver algo que pedimos tanto à vida, que desejamos tão intensamente. O que aconteceu ou deixou de acontecer a partir desse encontro já não é mais responsabilidade do universo, é nossa. Foi o nosso mal agir e mal falar que colocou essa parede entre nós. Foi a falta de paciência e de vontade que nos colocou nesse lugar. E só cabe a nós dois sair.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Acredito

 Hoje estou me sentindo cansada e angustiada. Não sei se é falta de fé, se é pressa, se é apenas exaustão mesmo. Só sei que estou profundamente insatisfeita com vários aspectos da minha vida. Embora seja grata por tudo que aprendi, pela bagagem que trago comigo, também me sinto presa, limitada, esgotada. Como se o conhecimento que eu adquiri não estivesse sendo suficiente para prosseguir. Não consigo entender o que falta, o que preciso fazer diferente, o que preservar e o que deixar de lado. É como se eu estivesse no meio de uma neblina densa e não enxergasse um palmo a frente do nariz, mas muito adiante, em algum ponto, houvesse um foco de luz. Eu tento me guiar por essa luz, sem enxergar o chão e os obstáculos que se apresentam a cada passo. Queria poder flutuar e alcançar a luz sem precisar pisar nesse chão desconhecido, mas não sou capaz. O único caminho possível é por esse chão enevoado. 

O pensamento "o que estou fazendo da minha vida" não é raro. Eu realmente acredito que os passos que estou dando agora me levarão para o lugar aonde desejo chegar?

sábado, 20 de maio de 2023

O bom agricultor

 A sensação de ter aprendido algo é muito gostosa. Você vive algo muito parecido com uma situação do passado, mas percebe que não está repetindo os mesmos padrões. Deixar alguém ir, sem tentar entender o porquê, sem relutar, sem me questionar sobre o meu valor, é algo novo. E ainda dói. Não é fácil abrir mão de alguém ou alguma coisa que a gente queria. Quando a gente é do tipo que se doa verdadeiramente, independente de intensidade ou tipo de vínculo, tudo é muito real, tudo marca de verdade. Mas mesmo sendo real, quando eu entendo que a decisão da pessoa tem muito mais a ver com ela mesma do que comigo e que a minha espiritualidade me reserva o melhor, não há do que reclamar. A situação precisava acontecer, todos os envolvidos precisavam passar por certa experiência. E não existe nada que eu possa fazer sobre isso. Nem reclamar, no fundo. Porque não foi ruim. Foi bom, em vários aspectos. Foi bom e verdadeiro para mim. Foi mais um aprendizado, que veio, sim, com alguma dor, mas que me deixa com a compreensão de que cresci sem deixar que a dureza da vida me enferrujasse. Estou viva, vivendo, amando e principalmente aceitando o que eu não posso mudar, sem deixar que a minha essência seja aplacada pelo outro. Eu plantei e reguei esse sentimento, mas quando o furacão veio, eu não tentei salvar as sementes, apenas segui em frente em busca de um clima mais favorável para a minha plantação. E eu vou ver minhas sementes crescerem e darem frutos lindos. Porque um bom agricultor precisa saber reconhecer onde plantar cada semente e esta lição eu finalmente aprendi.

Just to encourage myself

 I've realy changed my mind about how I'm willing to live life. I'm not just looking at good and expensive things thinking how htey are distant from me and my reality. From now on, I know I can achieve every single thing that I want or ever wanted. I'm a very capable, inteligent, strong woman, so I'm going to fight for the life I want to live, and not just the life I've seen already. I'm special, I'm grateful and I can do more and better. I'll change my life, step by step and I believe in the universe energies and powers to give me what I want and deserve! I know my ancestrality and my spirituality are both by my side and that I'll never be alone, because I've never been.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Lar

 "Eu me vejo em você"

Essa foi uma das primeiras coisas que pensei quando começamos a nos conhecer. Num primeiro momento, isso me deixou meio desnorteada, sem saber o que pensar. Nunca me vi nessa posição, porque sempre gostei de ter parceiros muito diferentes de mim. Uma das coisas que mais gosto, quando estou conhecendo qualquer pessoa, é descobrir o "mundinho particular" dela. Enxergar o mundo pela perspectiva do outro, entender porque ela gosta do que gosta, quais são suas referências e aspirações é um mergulho muito gostoso. 

Mas estou descobrindo que conhecer alguém muito parecido com a gente também pode ser muito bom. Acho que atrair pessoas assim faz parte do meu processo de autoconhecimento e autoconsciência. Quanto mais ciente estou de mim e do meu momento, mais atraio energias parecidas com essas. 

Conhecer alguém que de certa forma é um espelho pode ser muito desafiador. Eu conheço minhas sombras e sei muito bem o quanto ainda preciso evoluir, o quanto preciso trabalhar alguns aspectos para não ferir e aprisionar quem se aproxima. Isso me assusta um pouco, tanto por ser novo pra mim, quanto por uma certa insegurança a respeito do meu próprio amadurecimento. 

Tenho tentado desviar desses pensamentos autossabotadores e me focar no que importa: aprender a viver algo tão gostoso sem me jogar de cara, com mais cuidado - comigo e com o outro - e entendendo que não importa muito quanto isso vai durar e até que ponto vai se desenvolver, porque agora eu tenho a mim mesma como prioridade. Hoje, as portas do meu coração estão abertas para quem quiser fazer morada e vão permanecer abertas para quando essa morada não fizer mais sentido.


Me sinto agradecida e feliz com esse momento emocional, com cada pequeno momento com essa pessoa, mas sinto que lido melhor com a energia de apego, que estou sabendo fugir do medo de "perder", porque entendi que o que há de mais precioso no meu emocional é o meu amor próprio e este ninguém mais vai me tirar.

A relação que aprendi a cultivar comigo mesma é a mais linda que já tive e se tiver algum arrependimento é o de não ter me aberto para isso antes (mas ok, tudo no seu tempo). Sinto o acolhimento e o amparo da espiritualidade em cada passo que dou nessa jornada. Agradeço diariamente a mamãe Oxum e a Iemanjá, às ciganas, aos meus ancestrais e guias espirituais, ao anjo do amor essencial e a todos aqueles seres que de alguma forma me fortalecem. Fico comovida com a imensa beleza desse encontro, que me toca tão profundamente.

Nanã e Oxum me ensinam sobre o meu valor pessoal e a quebra de padrões ancestrais na forma de me relacionar. Estou entendendo que preciso enxergar o amor em mim para poder reconhecê-lo no outro. E quanto mais vejo amor e mim, mais clareza tenho sobre as intenções de quem chega.

Não tenho nem palavras para descrever o sentimento de gratidão sobre tudo que vem acontecendo internamente e externamente. Que a cada dia eu consiga me ouvir com mais clareza e enxergar a verdade das situações. As respostas estão sempre dentro.


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Novidade nova.

 Desde as grandes rupturas que vivi entre o fim do ano passado e o início deste, venho me espiritualizando mais, principalmente através dos estudos sobre astrologia e cartomancia. Já tem uns tempo que o tarot vem falando que para encontrar pessoas diferentes eu preciso frequentar lugares diferentes. Mas é tão difícil, né? Porque a partir de uma certa idade, a gente sabe do que gosta e prefere ir pros lugares que gosta. Sair de casa para lazer passa a envolver uma certa análise de custoXbenefício. 

Lá no fundo, eu sei que PRECISO mesmo ir pra outros lugares, ver gente nova, porque toda vez que saio só conheço mais homens gays e mulheres heterossexuais (ou bi comprometidas). Hoje, por exemplo, tive uma noite super agradável e divertida, mas sem nenhum potencial pra relacionamentos. Não que todo lugar que eu vá precise ter esse potencial, mas também não dá pra ser sempre assim, né?

Ainda estou tentando achar o meu caminho, entender pra onde eu posso ir, o que eu posso fazer, não porque estou desesperada pra conhecer alguém, mas porque sinto que é um exercício importante para conseguir me abrir para o novo, em todos os sentidos. Buscar o novo nos lugares de sempre é bem mais difícil e acho que minha vida tem pedido mais novidade.

O melhor lugar do mundo é aqui e agora.

Segunda-feira, agosto de 2022, acabei de chegar em casa levemente embriagada depois de gastar um dinheiro que eu não podia comendo uma comida que nem gostei tanto assim. Virei uma pessoa meio chata com comida, porque aprendi algumas técnicas culinárias e sei como as coisas devem ser feitas, aí, quando como algo que não foi feito da maneira correta e ainda foi caro, fico meio chateada. Mas é isso, gastei, tá gasto, foda-se. Quero vibrar prosperidade, felicidade, alegria. Estou um pouco cansada do pessimismo desse país e de algumas circunstâncias da minha própria realidade.

Estou numa vibe de acreditar, sabe? Acreditar que apesar de todas as questões sociais que eu bem conheço, vou conseguir conquistar tudo aquilo que desejo para a minha vida: um bom emprego, onde eu consiga me desafiar e desenvolver; um amor tranquilo e companheiro; uma casa própria, com um cachorrinho lindo; um estilo de vida saudável, com boa alimentação e exercícios regulares; momentos de descontração e diversão com novos e velhos amigos; quem sabe até os 3 filhos. 

Cada vez mais perto dos 30 anos, sinto que tudo é possível. Sinto cada vez mesmo a cobrança de "já" ter 30 e enxergo o quanto a vida me preparou para este momento, o quanto cada experiência foi necessária para eu estar onde estou hoje, com a mentalidade de hoje, com a consciência de hoje. O hoje é, de fato, o melhor momento.


terça-feira, 12 de julho de 2022

Censo transa e suas implicações

Esses dias vi um tuíte que falava mais ou menos assim: "se você ganhasse 1 real por cada pessoa com quem transou na vida, o que conseguiria comprar?". Fiquei pensando sobre isso e percebi que não lembrava direito com quantas pessoas já tinha transado e nem dos nomes de algumas dessas pessoas. Por causa disso, resolvi fazer meu censo transa, aproveitando que os 30 estão batendo na porta.

Listar todas as pessoas com quem transei, do encontro mais casual à relação mais duradoura, me fez pensar bastante sobre o meu modo de me relacionar afetiva e sexualmente. Algumas marcas ficaram mais evidentes, o aprendizado sobre o outro, por ter me permitido conhecer pessoas tão diferentes e me abrir pras dores delas. Pude perceber também a contradição entre o que eu oferecia e o que eu efetivamente buscava. Fazer esse movimento de olhar para trás é interessante para observar padrões de comportamento, mas também pra observar o meu próprio amadurecimento.

Não tenho a pretensão de trazer qualquer lição moral sobre a quantidade de encontros sexuais que tive ou o fato de não lembrar de todos. Acho que não há problema algum nisso, porque cada encontro teve a importância que deveria ter no momento em que aconteceu. Em alguns casos, o significado do encontro transcede o momento, em outros não, tudo certo, todo mundo adulto, consciente e vacinado.

É preciso ter consciência do que cada experiência me trouxe de positivo e também o que me roubou de mim. Certas coisas a gente tem que deixar de lado mesmo, pra seguir com mais potência, com mais liberdade. Outras a gente sente por ter perdido. Mas esse olhar pra trás é também uma oportunidade de resgate, de lembrar um pouco quem fui em cada um desses encontros e o que eu acho que vale a pena trazer de volta pras minhas relações atuais. E, do mesmo modo, enterrar de vez certas atitudes que não têm mais razão de existir na minha vida.

Todas essas reflexões não se deram no vácuo, só por causa de um tuíte. Tem muita terapia e um contato mto mais próximo com as minhas profundezas pra amparar o processo. Aprender a olhar pra mim, sabere identificar o que eu quero e quem eu sou é fundamental para me curar de algumas relações, de alguns padrões e também pra enxergar a beleza e a força da minha existência como ser humano, como mulher.

Agora, tenho mais maturidade para entender que o luto, a cura e o amadurecimento não são processos lineares. Precisa ter altos e baixos para poder ter movimento, porque é se movimentando que a gente avança.